sábado, 20 de dezembro de 2008
NATAL COM PRESIDIÁRIOS
O Natal de Jesus Cristo significa a manifestação da graça de Deus no meio de uma humanidade perdida, mesmo que religiosa. Jesus disse que veio buscar e salvar o que se havia perdido. É responsabilidade da Sua Igreja - seus discípulos - ser instrumento sensível do Espírito Santo no sentido de levar a mensagem da salvação a todas as pessoas - sejam ricos, sejam pobres, crianças, mulheres e homens. O Profeta Isaias sintetizou admiravelmente o advento do Messias prometido: "O povo que andava em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte, resplandesceu-lhes a luz,... porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz" (Isaías 92;6). Jesus Cristo disse: Eu sou a luz do mundo, quem me segue nunca andará em trevas, mas terá a luz da vida".
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
DROGAS: ALTERNATIVA ESPIRITUAL?

The Doors: Poesia & Música,
Misticismo & Drogas
Jim Morrison, um dos ícones mais celebrados do mundo do rock, foi encontrado morto em Paris, em Julho de 1971 - depois de Jimi Hendrix e Janis Joplin, outros artistas da música pop que também encontraram seu limite na morte. Ele era o vocalista e autor da maioria das letras que o The Doors – banda de rock formada em 1965. Cantava, levando multidões de jovens ao delírio, nos anos sessenta. Era filho de uma família tradicional, cujo pai era almirante da Marinha americana.
Jim nasceu na Flórida em 8 dezembro de 1943, formou-se em cinema, devorava os livros e vivia como se tivesse um grande vazio no coração. Quando começou a fazer sucesso, desabafou diante da câmera da TV: “O tom [da música] eu tiro desse sentimento obscuro, entende? Como o de alguém que não está em casa ou não se sente relaxado. Sabe, somos muitas coisas, mas não temos certeza de nada. Eu gostaria de ter apenas a sensação de estar em casa”
Em 1954 no livro “As portas da percepção”, Aldus Huxley, descreve as suas experiências alucinatórias com o uso da mescalina. O titulo é uma expressão tirada de uma obra do poeta William Blake. Blake tinha idéias socialistas e condenava a hipocrisia da Igreja, em sua época, cúmplice da exploração do trabalho de crianças e do tráfico de escravos. Hoje é considerado um santo, pelos gnósticos (Conhecimento esotérico e perfeito da divindade, e que se transmite por tradição e mediante ritos de iniciação).
Os anos 60 foram de grande atividade para a religiosidade oriental e o misticismo, especialmente na Califórnia. Escritores como Huxley e Carlos Castañeda, entre outros, apontavam para a juventude – envolvida em protestos e inconformismo – uma alternativa para a sede espiritual: a vivência metafísica através do uso de alucinógenos. Até então o uso de drogas era restrito e discreto, porém tudo mudou, desde então.
Os jovens, desde seus ambientes universitários, como Berkeley – onde um professor foi apologista do uso do LSD – viam nessas portas que estavam sendo forçadas, uma saída para o desespero de uma geração insuflada para negar o valor de qualquer autoridade, divina ou eclesiástica. Essa realidade formava um prato cheio para a expansão de religiões alternativas, a procura de gurus para o conhecimento de verdades ancestrais negadas pela tradição judaico-cristãs – que passaram a ser furiosamente combatidas nos meios intelectuais. Nessa época o arguto Bob Dylan cantou um alerta : “os alquimistas estão no corredor”.
Foi mais ou menos assim nasceu a grande e poderosa indústria das drogas alternativas ao álcool e ao tabaco – que hoje é moda em qualquer cidade do mundo, entre pobres e ricos, analfabetos ou intelectuais de elite. Como expressou o poeta Octávio Paz, as novas gerações não têm mais na tradição o seu fundamento, mas na mudança – que tornou-se obsessiva, gerando a confusão mental e a inquietude existencial até mesmo no seio da Igreja – quando novos teólogos, à cada dia, lançam mão de um novo vento de doutrina para segurar seus fiéis de uma outra novidade lançada num outro show da fé. Quem é sábio, porém, medita na fonte, nutre-se da Palavra de Deus revelada na Bíblia.
O que podemos perceber é que havia sinceridade na mensagem dos The Doors. Havia um grito incontido de uma geração em busca da verdade que poderia restaurar a paz e fazê-la sentir-se em casa, consolada e tranqüila. Em um documentário para TV o escritor Danny Sugarman declarou: “Jim não bebia naquela época, ele usava alucinógenos e estava expandindo sua mente, esforçando seu caminho para o outro lado”.
Os anos sessenta já desfrutavam das comunicações via satélites. Milhares de jovens soldados morriam e matavam na Guerra do Vietnã, em que os americanos se envolveram, utilizando armas químicas tenebrosas (gás mostarda), conflitos entre estudantes e autoridades universitárias e políticas, golpes de estado e imposição de ditaduras na América Latina, formavam cenário propício à rebeldia e questionamento de valores. Infelizmente a hipocrisia religiosa, o comprometimento de instituições cristãs com sociedades iniciáticas, passaram a aliar-se contra uma espiritualidade verdadeiramente cristã como opção para os jovens do mundo.
O grande trunfo de Jim Morrison foi aliar a poesia à música no ritmo do rock – conseguindo, dessa forma, atingir milhões com sua mensagem radical de desespero e também de denúncia do status quo, o materialismo e a superficialidade.
Tal era o impacto de suas canções, muitas vezes urradas no microfone, que uma das composições do The Doors, foi trilha sonora do filme “Apocalipse Now”, de Francis Ford Coppola, que descreve o sangrento estado do sudeste asiático em tempo de guerra estratégica – com suas vítimas crianças e mulheres indefesas, animais e florestas sendo carbonizadas ao som de “The end”:
“Este é o fim belo amigo
Este é o fim meu único amigo, o fim
Dos nossos elaborados planos, o fim
De tudo que permanece, o fim
Sem salvação ou surpresa, o fim
Eu nunca olharei em seus olhos...de novo
Você pode imaginar o que será?
Tão sem limites e livre
Precisando desesperadamente...de alguma...mão de estranho
Numa terra desesperada?”
Possamos ouvir o grito de uma geração que busca por socorro. Hoje, não são apenas alguns Hendrix, Jim, Janis, são milhões de jovens que pedem socorro e querem a verdade verdadeira do amor encarnado em Cristo, mas tanto negado na prática cristã. Jovens que se sentem longe de casa, fora de si, sem Deus no mundo, porque a indiferença virou doença e a espiritualidade contempla mais os reinos deste mundo do que a glória de Deus. Certa vez o poeta do The Doors disse que "gostaria de fazer uma música que fosse a mais pura expressão de alegria, pura como a celebração da existência, como a chegada da primavera" ... - morreu antes disto, porém.
Ouça com o coração o grito de milhões na boca de Jim Morrison:
“Bem, eu já desci tanto
Que agora até me sinto em cima
Bem, eu já desci tanto
Que agora até me sinto em cima
Sim, então por que algum de vocês
Não vem e me liberta”?
José J Azevedo
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
PERSEGUIÇÃO A CRISTÃOS
terça-feira, 25 de novembro de 2008
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
BRENNAN MANNING
O EVANGELHO MALTRAPILHO
Entrevista especial com Brennan Manning
Muitos cristãos ainda temem deixar
que Deus os ame
como realmente são, afirma o
ex-padre, alcoólico sóbrio
e escritor.
Brennan Manning é o autor de
O evangelho maltrapilho,
A sabedoria da ternura e outras obras
já publicadas no Brasil.
***
O que é um maltrapilho? Bem, o Antigo Testamento apresenta uma bela cena sobre os Anawims. No século 18, eles são os pobres, desabrigados e sem-terras; Deus um dia restaurará a prosperidade deles. No século 6, porém, os Anawims adquiriram um sentido de imensa profundidade espiritual. Eram os pobres de espírito, que tinham confiança inabalável em Deus e se comprometeram por completo a fazer a vontade dele.Agora, quando o tema chega ao Novo Testamento, os Anawims são os que se reúnem para conhecer Jesus em seu nascimento. São os pobres, desconhecidos, as pessoas à margem da respeitabilidade. São os pastores. Lá está Ana, uma senhora de 84 anos, e Simeão, um idoso. E todos os animais. E lá está, claro, a Virgem Maria, que fora considerada a última e a inferior em uma longa linhagem. Esses são os verdadeiros pobres de espírito. Eles reconhecem que dependem completamente de Deus, até mesmo para respirar, lançaram sua esperança sobre Jesus e se renderam à vontade do Pai. Isso, basicamente, é a definição de um maltrapilho.
Fale-nos de sua premissa sobre a confiança do crente em Deus.A idéia básica se resume em uma sentença: O esplendor do coração humano que confia e é amado incondicionalmente dá a Deus mais prazer do que a Catedral de Westminster, a Capela Sistina, a Nona Sinfonia de Beethoven, os Girassóis de Van Gogh, a visão de dez mil borboletas em revoada ou o perfume de um milhão de orquídeas em flor. Confiança é o presente de retribuição que damos a Deus, que gosta tanto do presente que levou Jesus a morrer por amor a ele.Foi isso que Jesus disse que precisamos trazer para o relacionamento?Sim. Confiança e entrega como de uma criança, creio eu, é a definição do discipulado autêntico. Com freqüência, a necessidade suprema em nossa vida é a mais ignorada: confiança inabalável no amor de Deus, qualquer que seja a situação. Penso que foi esse o ensinamento de Paulo ao escrever em Filipenses 4.13: “Tudo posso naquele que me fortalece”.
Mas, como podemos saber se estamos confiando mesmo? A maioria das pessoas afirma que confia em Deus. A característica dominante de uma vida espiritual autêntica é a gratidão que brota da confiança – não apenas por todos os dons que recebo de Deus, mas gratidão também por todo o sofrimento. Por ser uma experiência purificadora, o sofrimento é, freqüentemente, o caminho mais curto para a intimidade com Deus.Acrescentaria, também, que a confiança bíblica cresce a partir do amor. Minha confiança em Deus deriva da experiência do amor dele por mim, dia e noite, haja tempestade ou calmaria, doença ou saúde, esteja eu em boa ou má situação. Ele se aproxima de mim onde eu vivo e me ama como sou.Em João 17.26, Jesus disse: “Eu os fiz conhecer o teu nome, e continuarei a fazê-lo, a fim de que o amor que tens por mim esteja neles, e eu neles esteja”. Abba tem por nós exatamente o mesmo amor que tem por Jesus, quando habita em nosso coração. O problema é que a maioria das pessoas não sabe disso.
Quer dizer que parte do problema é falta de atenção? Acredito que a verdadeira diferença na igreja americana não é entre conservadores e liberais, fundamentalistas e carismáticos, nem republicanos e democratas. A diferença está entre os que percebem e os que não percebem.Quando uma pessoa percebe esse amor, o mesmo que o Pai tem por Jesus, ela se enche de gratidão espontânea. O clamor de gratidão se torna a característica dominante de sua vida interior, e o subproduto da gratidão é alegria. Não ficamos alegres e depois gratos, é a gratidão que nos enche de alegria.
Mas existe o sofrimento, também. Em seu livro, em meio à gratidão e à contemplação de Deus, você fala de forma bem pessoal sobre como, se quisermos realmente aprender a confiar em Deus, não é possível evitar o sofrimento pessoal. Quando eu vivia em Nova Orleans, sem freqüentar nenhum centro de reabilitação para alcoólatras e dependentes de drogas, eu me agarrava a um gole de vodka e o que menos queria era o tratamento de 28 dias que poderia salvar minha vida.Continuei a beber – uma criança bêbada clamando: “Jesus, onde você está?”.
Como vivenciamos a confiança no meio de dor, sofrimento, mágoa e puro desespero? Quer dizer, será possível suportar e por fim vencer o cenário sombrio e melancólico do mal e da destruição e voltar a sentir que o amor de Deus é incondicional? Essa é a pergunta que faço aos cristãos. Vocês confiam no amor de Deus? Todos respondem que sim, que sabem disso há muito tempo. Aí, observe como vivem. Há tanto medo, tanta ansiedade, tanta raiva de si mesmos. A melhor definição de fé que já ouvi foi feita por Paul Tillich: “Fé é a coragem de aceitar a aceitação”.O que significa isso? Fé é um código para aceitar que Jesus conhece toda a história de minha vida, cada segredo, cada momento de pecado, vergonha, desonestidade e degradação em meu passado. Agora mesmo Ele conhece minha fé superficial, minha vida de oração frágil, meu discipulado inconstante, aproxima-se de mim e fala: “Desafio você a confiar. Confiar que eu o amo exatamente como você é e não como deveria ser, porque você nunca será como deveria ser”.
Por que temos medo de Deus não nos amar como somos? Minha percepção é que pensamos que, se deixarmos Deus livre em nossa vida, ele irá pedir demais de nós. Será que ele vai me mandar ficar 10 anos em Calcutá, com as missionárias de Madre Teresa? Será que vai me fazer ter câncer? Ele pode me mandar deixar minha esposa e ir viver sozinho numa caverna, pensando só nele. Esses temores malucos não têm nada a ver com o Deus verdadeiro, que se delicia com seu povo. Para mim, é mais importante amar do que ser amado. Quando a pessoa ainda não teve a experiência de ser amada por Deus, do jeito que é e não como deveria ser, então amar os outros se torna um dever, uma responsabilidade, uma tarefa. Mas, quando aceito ser amado como sou, com o amor de Deus derramado em meu coração pelo Espírito Santo, então posso alcançar os outros com menos esforço.
E a confiança que nasce desse amor, como você falou, é implacável. Isso soa engraçado: confiança implacável. O dicionário define implacável como “sem piedade”. No contexto que estou usando, é sem autopiedade, que é a primeira reação normal inevitável. Creio ser perda de tempo tentar acabar com ela. Entretanto, chega o momento em que ela ameaça se tornar maligna. Pode nos atrair para a autodestruição e comportamentos como afastamento, isolamento, bebida, drogas e assim por diante. E depois apenas imploramos a graça de Deus para colocar um limite temporal em nossa autopiedade. O poeta disse que a última ilusão de que devemos abrir mão é o desejo de nos sentirmos amados. Há um monge que viveu durante 30 anos na abadia Genesee. Um visitante lhe perguntou se ele se sentia mais próximo de Deus do que há 30 anos. A resposta gloriosa do monge foi: “Não, mas isso não tem mais importância”. Ele estava tão livre da necessidade de se sentir amado que podia aceitar, indiscriminadamente, consolo ou desolação, presença ou ausência de Deus, como sendo a mesma coisa. Graças a Deus que, com a instabilidade de meus sentimentos frágeis, a presença dele em mim não depende do que eu sinto. Se dependesse eu estaria com sérios problemas.
Entrevista a Dick Staub
(Fonte: http://www.cristianismohoje.com.br)