quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010


George Orwell, 1984 e o
Big Brother Brasil - BBB


Li “1984”, de George Orwell, nos anos da minha juventude. Foi impactante, pois vivíamos numa era em que muitas ditaduras pipocavam pelo mundo – inclusive no Brasil. No livro o “Big Brother”, é o ditador da fictícia Oceania – e uma caricatura do totalitarismo personificado em gente como Adolf Hitler, Benito Mussolini, Josef Stalin, entre outros truculentos menos famosos.
É lamentável que o tema do livro seja utilizado nesse circo televisivo chamado “BBB” – reality show que já caiu de moda em vários países em função da exigência cultural de seus habitantes. Infelizmente o programa está durando em nosso País – talvez por causa da crescente desvalorização da cultura (com C maiúsculo) e da educação – meios fundamentais para o desenvolvimento da crítica, dos valores éticos e do bom-senso. Nessa terra de ninguém, onde geralmente quem manda é o mais experto e não o mais eficiente ou o mais criativo, esse tipo de cultura brota e contamina especialmente o povo menos informado, mais carente de opções culturais e espirituais. Nesse sentido a juventude torna-se o alvo mais cobiçado – em função da sede da novidade, disposição para a contestação, etc.
Creio que por trás dos bastidores dessa teletela atual o interesse não é apenas o lucro custe o que custar – da emissora e dos patrocinadores. Há uma verdadeira conspiração, no sentido de vulgarizar, um estilo de vida que possa conduzir o País conforme mentes que buscam manipular o imaginário, com objetivo de impor sua agenda no mínimo tendenciosa – seja na escolha dos perfis dos candidatos à exposição ‘bigbrodhiana’, seja na indução ao consumo em função dos interesses comerciais (bebidas alcoólicas, tabaco, marcas, etc.) graças ao efeito demonstração e à manipulação subliminar. Nesse sentido esse Grande Irmão é manipulador, interesseiro, zombeteiro e depravado. Joga muito bem com o conceito de liberdade – porém seu objetivo é amarrar e escravizar milhões de pessoas conforme sua ambição pelo poder, pela fortuna, personificada nos candidatos que ralam na sua arena em busca do prêmio. A fome em busca da vontade-de-comer: casamento da cobiça com a ambição – com dezenas de milhões gastando seus centavos para participar desse jogo com de cartas marcadas.
Ao contrário do Estado – que era o instrumento de dominação da ficção “1984” dos ditadores, para a realização de seus planos malignos, agora é a iniciativa privada – o mercado com seus tentáculos - personificada nas potestades do ar (Redes de TV).
A série BBB também se presta ao serviço de levar ao conformismo a população quanto a constante quebra de privacidade que hoje se vê, com cameras nas ruas, nos corredores, nos elevadores, em repartições e coletivos – vigiando cada movimento do cidadão, sempre sob suspeição. Tudo em nome da segurança e da paz social! Para onde caminhamos nesse BBB universal? Parece haver, do outro lado das telas, uma insidia, uma mente poderosa, impessoal, enigmática, com sede ilimitada de informação para saciar seus quadrilhões de bites, – que nos lembra a saga genial dos personagens de Matrix, o filme. Como defender nosso corações e mentes da imposição brutal da violência, das aberrações cinematográficas, das perversões inculcadas, das tendências virtuais tendenciosas, da banalização da vida e do desprezo da alma?
Sejamos sábios, cautelosos e prudentes! Há maravilhosas sendas do saber e da verdadeira cultura nas bibliotecas, nos diálogos entre gerações, na camaradagem sadia e na afetividade sóbria de amizades que conduzem a hombridade. Pelo amor de Deus: O tempo é precioso demais para perdê-lo se expondo a malicia decrépita desse Big Brother!
George Orwell escreveu sua genial obra, “1984”, para prevenir e vacinar o mundo com relação a ameaça da tirania e do totalitarismo. Foi descaradamente traído! Leia esse livro em vez de ser tributário ingênuo dessa depressiva e miserável programação.
(José J de Azevedo)

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O CRISTÃO E O MEIO AMBIENTE





















*********************

O cristianismo atual carece de profundas reflexões e reciclagem geral de atitudes e valores, de forma a se conformar com uma vida baseada na simplicidade, humildade e sabedoria – tão belamente caracterizada no estilo de Jesus, seus discípulos e na prática generosa e solidária da igreja descrita nos Atos dos Apóstolos.
Conforme Gênesis, o Criador atribuiu ao ser humano, formado à sua imagem e semelhança, o cuidado para com a natureza. Deus deu ao ser humano a tarefa de administrar o planeta! O labor não tinha o objetivo de ser uma maldição, mas bênção, caminho de disciplina e busca de aperfeiçoamento. Como diz o antigo ditado, nos ofereceu condições da descoberta, ensinar a pescar e não simplesmente oferecer o peixe no prato. Através dos milênios o ser humano, na sua árdua busca da sobrevivência, foi construindo o acervo do saber graças ao qual pode superar obstáculos em um mundo hostil e perigoso.
Ao homem foi atribuído o papel central na terra. Não podemos interpretar o Gênesis a partir de uma visão utilitarista da natureza – muito menos com uma visão consumista e soberba. Na verdade Deus deixou o mundo em condições plenas para a sobrevivência do homem e das outras formas da vida – para conviver cooperativamente com a fauna e aflora, preservando as fontes da sustentabilidade: A água, o ar, o solo e o subsolo, a terra em seu majestoso equilíbrio, como um milagre sabiamente planejado em meio a infinitas galáxias as quais o homem perscruta em busca de débeis sinais de vida.
A parábola da queda revela o ser humano afastando-se da sabedoria divina para colocar-se em auto-suficiência. Conforme o teólogo John Stott foi a cobiça que o levou à rebelião, o querer ser igual a Deus! Foi uma queda espiritual com conseqüências para toda a criação.
Esse é o caminho trilhado, desde então, até a nossa geração!
Há dois mil anos “o Verbo se fez carne e habitou entre nós”. Conforme Dietrich Bonhoeffer, “Deus revelou-se plenamente ao homem no rosto de Cristo”. Tratava-se não apenas de salvar o homem, e sua alma, da condenação eterna, mas também salvar o homem de si mesmo, ensinando o caminho sobre como preservar sua alma – o único bem eterno que Deus nos deu.
Em torno de Cristo e por sua obra nasceu a Igreja. Jesus adveio de uma família humilde de operários da Galiléia – de um povoado rural sem expressão. Não nasceu de uma família sacerdotal, não foi gerado num palácio, mas em um casebre. Sua primeira casa foi uma estrebaria, junto com guardadores de rebanho, ouvindo o relincho dos cavalos e o balido das ovelhas. Essa pobreza não foi circunstancial, mas exemplar! Jesus peregrinava a pé, sobre suas sandálias, ensinando a sabedoria do Reino e o caminho da abnegação.
Hoje o mundo todo se preocupa com as conseqüências do desatino consumista – que tem levado à destruição ambiental, exaurindo recursos naturais, comprometendo o bem-estar das próximas gerações. Os cientistas alertam para a crescente poluição dos elementos fundamentais da nossa sobrevivência, as mudanças climáticas e suas consequências.
Diante dessa realidade, qual deve ser a atitude do povo que se diz cristão?
Essa é o desafio que, em Sua soberania, Deus tem colocado para a Igreja.
Somos chamados ao arrependimento por causa da vida consumista e por causa da espiritualidade superficial que faz com que a nossa geração beba mais das águas impuras do consumismo – motivado pela exposição irresponsável frente a uma mídia manipulada pelos fazedores do lucro a qualquer custo – do que na fonte salutar que mana generosa do Novo Testamento. O estilo de vida dos cristãos pioneiros não tem quase nada a ver com o viver e a prática de milhões de cristãos, em nossos dias – contrariando o alerta paulino de não nos conformarmos ao mundo dos valores materialistas, mas renovar a mente para o conhecimento da vontade perfeita de Deus. Nos últimos tempos, por exemplo, a teologia da prosperidade subverte os valores cristãos genuínos e revela a alienação de grande parte de líderes religiosos tão populares, que ocupam parcela crescente da mídia televisiva. Em vez do clamor para uma volta às raízes e aos fundamentos, praticados e ensinados por Jesus, o foco tem sido a necessidade, o interesse e o sucesso financeiro. O centro do culto parece não ser mais a glória de Deus e o amor ao próximo. A vivência da fé vem sendo centralizada no ter e não no ser; mais no receber do que no servir; mais no sucesso do que na negação de si mesmo – condição sine qua non colocada por Jesus para seus discípulos: “Aquele que quiser me seguir, negue-se a si mesmo, tome a cada dia a sua cruz e vem, e me segue”.
O desafio, meus irmãos, é buscar uma vida frugal e solidária; participativa e distributiva em vez de egoísta e cumulativa. Devemos, sim, buscar o bem estar para a família, poupar responsavelmente para necessidades futuras – sem, porém, a busca alucinada pelos primeiros lugares, o luxo e a alienação. O mundo precisa ver em nós, cristãos, um povo que partilha, um povo modesto e singelo – como o povo simpático, que atraia os pagãos do primeiro século por seu estilo de vida fraterno e participativo.
A Igreja precisa ocupar lugar de vanguarda em busca de alternativas de viver que proclamem os valores do Reino, dignifiquem o ser humano e restaurem ecossistemas. Cabe as lideranças cristãs o ensino do estilo de vida ensinado por Jesus e imitado pelos apóstolos. Vivemos em um tempo em que a filosofia chega a um beco sem saída, por que ignora a transcendência - entendendo o ser humano como máquina, advoga o niilismo e a completa autodeterminação. Nessa babilônia a juventude internacional cresce perdida, em trevas espirituais, que precisa da luz do Evangelho real – e não das meias verdades pregadas interesseiramente.
A vivência cristã deve ser integral e comprometida com o mundo carente dos valores espirituais e dos preceitos morais – que dizem mais respeito ao coração contrito do que ao legalismo soberbo dos juízes religiosos.
Seguiremos a Cristo ou seguiremos o mercado?
Mais do que nunca a modéstia e a simplicidade cristãs devem ser evidenciadas. Se realmente somos novas criaturas, vamos trilhar o Caminho salutar que refrigera a alma. Se o Senhor é o meu pastor nada do que for realmente necessário nos faltará.

José J. de Azevedo

sábado, 23 de janeiro de 2010

HAITI NA CONSCIÊNCIA E NO CORAÇÃO



*************************




*******
A tragédia que abateu o Haiti, ceifando mais de cem mil vidas, vem sacudindo corações e mentes em todo mundo. Desde 1994 o Brasil lidera as forças de paz da ONU, no sentido de disciplinar o caos social que foi sendo gerado há séculos em função do legado da deportação e escravidão de tribos africanas por europeus, desde o século XVII. Da servidão amarga na Isla Hispaniola – repartida em 1697 entre Espanha e França, surgindo o Haiti e a República Dominicana – brotava a doce riqueza do açúcar e os sabores requintados do cacau e do café, especiarias para o paladar europeu.


A História da Ilha, descoberta por Cristóvão Colombo, foi marcada pela violência e escravidão dos índios, desde 1492. Em menos de um século a população indígena local foi barbaramente dizimada pelos conquistadores. O povo do Haiti, parte francesa da Ilha, frente à situação insustentável dos africanos e descendentes , rebelou-se em 1794 – seguindo o modelo da revolução francesa. A revolta dos escravos culminou com a independência, em 1803. A ousadia dos escravos, resistindo os reforços advindos da metrópole, levou o novo país a amargar 60 anos de bloqueio comercial por parte da Europa e EUA – precipitando uma grande crise econômica com conseqüências sociais e políticas.


Foi do Haiti que Simon Bolívar partiu com dinheiro, armas e militares em sua cruzada de libertação de nações da América Latina. Anos depois, encurralado pela armada francesa, o País teve que assumir uma dívida indenizatória astronômica de 150 milhões de francos – exaurindo sua economia precária. Os séculos XIX e XX viram florescer e decair uma estirpe de ditaduras, com corrupção e mazelas políticas.


Em 1957 François Duvalier foi eleito presidente. Dominou o País com o terror policial, buscando permanecer no poder com a prática do vodu. Exterminou adversários políticos e perseguiu cristãos. Morreu em 1971, sendo sucedido pelo seu filho, o Baby Doc que, em 1986, teve que fugir do Haiti, sendo recebido na França com seus milhões de dólares, que gastou dissolutamente nos redutos da moda, em Paris e no litoral. Em 1990 o padre Jean-Beltrand Aristide foi eleito presidente. Tinha idéias socializantes inspiradas na Teologia da Libertação. Foi deposto no ano seguinte através de um golpe de Estado. O País, por isso, voltava a ser alvo de sanções econômicas por parte da ONU e da OEA, que queriam a redemocratização.


Aristide retornou ao poder em 1994 e, naquele mesmo ano, foi derrubado pelos militares acusado de corrupção. Foi substituído pelo presidente do Supremo Tribunal, Bonifácio Alexandre, que solicitou ajuda da ONU. Nesse ano a Assembléia das Nações Unidas aprovou o envio da Força Internacional de Paz (MIF), liderada pelas forças armadas do Brasil, sob o comando de Augusto Heleno R.Pereira. Essa força de paz é formada por 16 países (Atualmente MINUSTAH - sigla derivada do francês: Mission des Nations Unies pour la stabilisation en Haïti).


Neste 12 de janeiro o grande terremoto fez com que cerca de 120 mil haitianos fossem mortos sob escombros, especialmente na capital do País. Hoje milhões de pessoas perambulam em busca de socorro. Entre as vítimas fatais cerca de 20 brasileiros – 18 deles que serviam as forças de paz da ONU. Há no País mais de 300 mil crianças em situação de risco – muitas são agregadas a famílias de mais posse e se tornam semi-escravas, conforme denúncia da BBC de Londres. Outras fogem para a vizinha República Dominicana em busca de uma vida menos sofrida. Esse é o legado do colonialismo que também infelicitou o continente africano – onde estão as raízes de mais de 90% da população haitiana. Bem antes da solidária rede que vem sendo formada pela Cruz Vermelha, Médicos sem Fronteira, entre outros – juntamente com contingentes e recursos governamentais de dezenas de países – já estavam lá os missionários cristãos, de braços dados com a parcela mais pobre, partilhando o pão e o Evangelho de forma prática, cuidando de crianças em orfanatos e abrigos, longe do olhar da mídia e dos holofotes da grande imprensa. Euclides da Cunha, relatando a Guerra de Canudos, definiu o nordestino: “Antes de tudo um forte”. A expressão pode ser utilizada também com relação a esse povo que teima em viver em meio a séculos da opressão estrangeira, conflitos históricos, mazelas domésticas e desencontros sociais. Na França, tributária de quase mais de dois séculos do trabalho escravo, fala-se em perdão para a dívida externa do Haiti: seria um reparo justo! Centenas de famílias abrem os braços, desejosas de adotar os órfãos do terremoto.


O drama dos haitianos parece tirar da madorra espiritual a alma de milhares de pessoas – do ocidente civilizado - que, de uma forma ou de outra, se solidarizam, enviando água, alimentos e recursos médicos para milhões de pessoas. Bombeiros e voluntários resgataram mais de uma centena de pessoas da morte de sob os escombros, até depois de 11 dias do terremoto – como sinais da providência e soberania divina – como o caso de uma anciã de 94 anos, um bebê de 23 dias; crianças que venceram a sepultura de entulhos, abrindo pulmões e braços para celebrar o triunfo da vida sobre a morte. Em meio ao caos parece florescer o vigor espiritual e a beleza do serviço cristão nos hospitais improvisados, no transporte e distribuição de água e comida. O Brasil tem sido honrado, pois seus soldados embarcam armados para uma Missão de Paz e não de guerra – não para a conquista ou dominação, mas para o serviço e o bem-estar daqueles cidadãos afro-americanos. Que a consciência do ocidente repare tantas injustiças cometidas sob o testemunho da História. Que Deus seja glorificado no Haiti. Que esse povo sofrido levante-se desse quebrantamento para uma vida nova sob Sua graça e soberania.

José J. de Azevedo

“Clamarás ao Senhor e o Senhor te responderá; gritarás, e Ele te dirá: Eis-me aqui! Se tirares do meio de ti o jugo, o dedo que ameaça, o falar injurioso; se abrires a tua alma ao faminto e fartares a alma aflita, então, a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio-dia” (Isaías 58.9-10).






Dados históricos veja em:


1.pt.wikipedia.org/wiki/Haiti

2.www.cecac.org.br/mat%E9rias/Haiti.htm

3.observatoriosocial.org.br/conex2/?q=node/1164.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

É NATAL - CORAL DA IPB / CONGREGAÇÃO RÁIA

Na quarta-feira, dia 16.12.09, os irmãos do Campo Missionário de São Mateus do Sul da Igreja Presbiteriana do Brasil, receberam a visita de um grupo de irmãs da SINODAL DAS SAFs do Sínodo de Curitiba. Na ocasião o Coral de Crianças e Adolescentes da Congregação da Ráia louvou a Deus com o cântico "É NATAL". Foi uma tarde muito alegre e abençoada para todos - especialmente para as crianças, que ganharam presentes das irmãs visitantes.

domingo, 22 de novembro de 2009

Poema

JORNADA














....................................................................... ...........................................................................................................................................................................................................................
Dá-me a tua mão, Senhor,
Que não posso descer sozinho
Às profundezas de mim mesmo.

Não posso mais andar a esmo
Nem tatear no escuro para sempre
Ilumina o caminho tortuoso
Ilumina minh’alma, Senhor!

Coragem também preciso
Para a jornada inevitável
Não posso andar em direções diversas
Doble, ser e não ser, ao mesmo tempo
Quero estar inteiro quando chegar a minha hora.

Preciso também de um coração forte,
E íntegro, seja, por isso, para sempre, comigo.
Atravessando desertos, cantarei
Navegando o mar bravio, não temerei
Penetrando a cava funda
Em busca do ouro puro da minha’alma
Estarei tranqüilo, calmo, seguro.

Mais que tudo, banha meu ser
No teu amor supremo
De forma que seja uma fonte a jorrar
E instrumento submisso
De tua misericórdia sem limite.
Então, no dia de minha hora
Estarei inteiro – meu passado, meu futuro,
unificados, purificado nas mãos do Criador,
o Eterno Alquimista.

Glorificarei teu Nome, desfrutarei de tua presença
Ao expressar a tua majestade,
Bebendo na fonte da eterna juventude.

José J Azevedo, 21.06.2007

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

CONSPIRAÇÃO & CULTURA


Conspiração
teoria ou realidade?

Há fatos no mundo atual que nos deixam intrigados, inquietos e, mesmo, indignados. O que está acontecendo com a tão celebrada civilização ocidental? Porque essa decadência numa seqüência tão irracional, veloz e absurda? Em 1997 foi lançado nos EUA o filme “Teoria da Conspiração”, estrelado por Mel Gibson e Julia Roberts – a história de Jerry Fletcher, um motorista de taxi que critica o governo e fala sempre da existência de uma conspiração envolvendo altos escalões. Abordamos, aqui ,o aspecto conceitual e espiritual da possibilidade – pois nem sempre percebemos uma intenção racional em fatos reais. Porém é claro perceber uma geratriz espiritual, maligna, que inspira a degradação.
Venha, vamos percorrer os olhos numa locadora de vídeo qualquer: centenas de títulos apelam para o grotesco, a violência doentia, a sexualidade associada ao aberrante, ao conflito. Apenas olhar títulos e capas já nos trás sentimento de angústia e náusea; o horror e o tenebroso à disposição de qualquer adolescente. Pára em teu sofá e reflita sobre os programas de TV – nos filmes, a manipulação, o efeito demonstração, o subliminar: tipo: faça tatuagens, o aborto é uma opção racional , a mulher é dona de seu corpo, não ser favorável a militância gay é ser homofóbico, ir à igreja é caretice, pastores e padres são manipuladores, etc. Para as crianças de mães eternamente ocupadas com síndrome de Marta restam os desenhos animados que as querem violentas e perversas como o Pica-Pau, ou como os super heróis em seus atributos divinos – exaltando o humano como ser adorável levando a mensagem: use a violência, a magia e o mal para defender o bem!. Os pais alegremente compram romances para seus filhos que nada mais são que iniciação à bruxaria e os vestem para as festas de halloween. Manipulação sórdida na pré-escola!
Filmes “Cult”: sexo sem compromisso, normalmente drogados, a propaganda de cigarros e bebidas disfarçada em cenas dramáticas para capturar o jovem expectador, as aberrações chamadas de arte. A liberdade pregada é a libertinagem e suas conseqüências, trágicas, sofridas. Olha para as famílias: pais e filhos se agridem, não dialogam, foram colocados numa arena.
São exemplos de uma conspiração a passos largos. Ligue a Internet - faca de dois gumes - e examine as mensagens, o leque e os acenos à disponibilidade de qualquer idade. A comunicação cada vez mais virtual e o real, na alma, empobrecido, entorpecido.
O resultado é confirmado pelos teólogos da pós-modernidade, que colhem no caos e lucram com o desespero – sem piedade real, sem discipulado – Cristo desfigurado; a Bíblia grifada para jargões utilitários – além das edições interesseiras, culto ao deus prosperidade! A filosofia anda num beco sem saída, cada vez mais escuro e sem esperança.
Uma conspiração? Uma orquestração infernal? O já condenado deus do entretenimento cada vez mais ousado. Tudo isso levando o ocidente a uma mentalidade cada vez mais dissociada dos valores que deram estabilidade a muitas nações e forjaram economias estáveis e equidade social.
A juventude vítima de pensadores que viam nas drogas uma segunda mão para a espiritualidade – o que era modismo nos anos 60 virou indústria bilionária em mãos de poderosas organizações que penetram com seus tentáculos no cerne da sociedade, minando democracias, corrompendo e gerando confrontos armados e balas perdidas. Veja os noticiários da TV, personagens desumanizados e as tragédias cotidianas. O egoísmo crescente e as manipulações, os jogos antidemocráticos pervertendo a vontade popular ainda consciente de valores e costumes eleitos como dignos. Nessa teia de interesses menores a democracia sofre, a minoria tenta impor sua vontade sobre a Constituição.
Conspiração? Sim há muitos respirando juntos, alimentados por uma literatura que perdeu a nobreza, artistas que trocaram a virtuosidade pela fama e pela grana, escritores soberbos que jogam a tradição na lata do lixo e afirmam que isso é talento. O paganismo crescete e religiões orientais cortejadas.
Richard Foster em “Celebração da disciplina” disse com propriedade que a superficialidade é uma das pragas do nosso século e o teólogo Francis Shaeffer diagnosticou nossa cultura: forjada sobre raízes corrompidas!
Na Europa, por tudo isso, decresce a natalidade – muitos preferem adotar cães, por fobia a crianças – e a imigração islâmica faz a religião muçulmana crescer enquanto o cristianismo enfraquece e decresce – igrejas viram museus, danceterias ou Mesquitas.
Sabemos que os poderes financeiros se aglomeram e que há uma intenção, uma agenda sinuosa, em ação. Há grande movimentação no mercado da informação e, mais que nunca, o deus dinheiro – virtual – é adorado no altar consumista de cada casa – mesmo entre as que dividem seu coração com o Deus da Bíblia – cuja revelação nasceu numa cultura oriental . Afirmou C.G.Jung: “A terrível compulsão da consciência para o bem, a poderosa força moral do cristianismo falam não só à favor do cristianismo mas demonstram também a força de seu adversário recalcado e reprimido – o elemento bárbaro, anticristão”. No auge do nazismo, falando sobre a massificação descreveu: “Quanto maior a organização, menor a qualidade moral de seus membros e menos responsáveis em suas decisões” (paráfrase).
O desafio é crescente e o mundo, depois da queda, nunca foi um parque de diversões. Fortaleçamos corações e mentes, nutrindo a vida na comunhão e compromisso crescente com o Único que “nos livra da ira vindoura

José J. de Azevedo
http://gospelnoticiaspontocom.blogspot.com/
http://twitter.com/zejuliobr

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O SINAL DA CRUZ




EUROPA PROIBE O CRUCIFIXO

Paulo disse: “Se Cristo não ressuscitou é vã a nossa fé”. Recentemente uma onda de indignação varreu a Itália, pois a Corte Européia de Direitos Humanos em Estrasburgo, na França, decidiu contra o uso de crucifixos em salas de aula na Europa. Segundo esses juízes, a prática violaria os direitos dos pais de educar seus filhos da maneira como preferem e contraria os direitos da criança de escolher livremente sua religião. Essa proibição é polêmica e questionável, pois em países de maioria budista, muçulmana, xintoísta, hinduísta, xiita, etc. os símbolos e pregações religiosas fazem parte do seu dia a dia – dentro e fora das escolas. Nessas regiões do globo os cristãos têm sua liberdade restrita, vigiada e até perseguida – sendo até proibidas conversões por parte dos seguidores de Maomé, por exemplo. Porém nos países de maioria cristã qualquer manifestação religiosa vem sendo encarada como ofensiva ou discricionária. – nesse ponto as minorias têm apoio de intelectuais ateus do ocidente – que vêm nos seguidores de Cristo ameaça permanente a seu status social, filosófico ou político.
Os cristãos evangélicos não usam o crucifixo, pois sabem que Jesus venceu a morte – não ficou sepultado, nem para sempre fixado no madeiro. Essa é uma das glórias do cristianismo: Seguimos àquele que se submeteu à cruz e venceu a morte por amor da humanidade caída.
Desde a igreja primitiva a cruz tem sido o símbolo central e universal dos cristãos. Porém o mais importante é o significado espiritual da Cruz de Cristo. Falando sobre esse significado Jesus ensinou seus seguidores, condicionando o discipulado: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me”.
Séculos antes do catolicismo romano, conforme John Stott em sua magnífica obra, “A Cruz de Cristo”, os perseguidos cristãos “gravavam a cruz como símbolo visual de sua fé, faziam o sinal da cruz em si mesmos ou nos outros”. Conforme Stott, foi Tertuliano foi um dos primeiros a testemunhar essa prática: “A cada passo e a cada movimento... traçamos na testa o sinal da cruz”. Cita também Hipólito, presbítero, que escreveu no ano 215 D.C que o sinal da cruz era usado pelo bispo para ungir a testa do candidato durante a Confirmação, e recomendava: “Imitem sempre a ele (Cristo), fazendo, com sinceridade, um sinal na testa, pois este é o sinal da sua paixão” Recomendava também: “Quando tentado, sempre reverentemente sela a tua testa com o sinal da cruz”.
Especialmente quando ministramos o sacramento da Comunhão (Ceia do Senhor) cantamos hinos que lembram o sacrifício de Cristo quando assumiu na cruz o nosso pecado: “Sim eu amo a mensagem da cruz, até morrer eu a vou proclamar, pois um dia em lugar de uma cruz a coroa Jesus me dará
Em outro hino declaramos: “Quero estar ao pé da cruz / que tão rica fonte / corre franca, salutar / de Sião no monte / Sim na cruz, sim, na cruz / sempre me glorio! / E, por fim, descansarei / Salvo, além do rio
A.W. Tozer lembra que “a cruz de Cristo é a coisa mais revolucionária que já apareceu entre os homens. Depois que Cristo ressurgiu dos mortos, os apóstolos saíram a pregar a Sua mensagem, e o que pregaram foi a cruz. E por onde quer que fossem pelo mundo, levavam a cruz, e o mesmo poder revolucionário ia com eles. Seu poder mudou homens maus em bons. Sacudiu a longa escravidão do paganismo e alterou completamente toda a perspectiva moral e mental do mundo ocidental”.
Paulo sintetizou a rejeição da cruz por parte do mundo: “A palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós que somos salvos é o poder de Deus”.
A Europa, após duas guerras, levantou-se das cinzas para a prosperidade e estabilidade social. O cristianismo real parece ter ficado na História e nos monumentos visitados pelos turistas, como a Catedral de Notre Dame e, em Londres, a sublime Abadia de Westminster – onde nasceu uma das mais preciosas confissões da fé cristã. As velhas gerações perderam o poder de transmitir às novas o legado bíblico, profético e existencial da Igreja que nasceu sob o signo da cruz. Por outro lado, milhões seguem apenas rituais exteriores, captulados pelo fascínio do secularismo. Nas regiões onde a Igreja prospera o vinho novo da Palavra vem sendo misturado pelo interesse humano e as mazelas denominacionais. Porém, como em toda História, permanece o remanescente fiel.
Que em nossos dias o sinal da cruz não seja apenas um gesto exterior ou um costume herdado – sem o fundamento de vidas comprometidas com Cristo. A cruz de Cristo é o nosso símbolo de fé supremo. Estar firme em uma denominação cristã, bíblica, transparente e realmente comprometida com Cristo é fundamental e faz parte da dinâmica da Igreja . O discipulado tem seu preço, o caminho é estreito – porém nada se compara a glória de pertencer a Cristo e segui-lo com gratidão, submissão e amor. Com humildade e quebrantamento, em nossas carências e contradições, sejamos conhecidos como seguidores do Cordeiro que liberta, tendo como alvo a glória de Deus e o amor abnegado. O verdadeiro sinal da cruz deve ser muito mais que um gesto – deve ser visto como expressão de testemunho
.