sábado, 20 de agosto de 2011

O CANTO DO UIRAPURU / POEMA


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Deixem em paz a floresta, o que dela resta.

Ouçam o urro de seus felinos inquietos,

A linguagem canora de seus meninos morenos,

tranqüilos, ribeirinhos.

Deixem a vida viver do seu jeito.

Deixem os pássaros risonhos

alimentarem seus filhos, nos ninhos.

Que os tratores e moto serras

Apodreçam, virem esterco no solo.

Deixem em paz o lábaro estrelado

E todas as sinfonias de seus animais

E o murmúrio de profundos recantos.

Queremos ouvir o canto da seriema,

O cantar do jacu, de galho em galho,

Queremos que vivam as tribos e povos da floresta.

Vivendo em paz em sua terra,

Cultivando sua cultura, falando em seu idioma.

Chega de rapinagem bandeirante!

Suas entradas e bandeiras

de gana, ira, cobiça e violência.

O lamento do Bico-Vermelho.

O resmungo da Arara-Canindé.

Que o Urutau-Grande te assuste.

O Uirapuru enterneça teu coração de pedra

na Semana de Arte Moderna, que ainda perdura.

Que a Amazônia desvairada

assombre homens escravizados pelo dinheiro

em suas confrarias, perversas corporações.

Que essas almas famintas

enlouqueçam em seus palácios de cristal

com seu ouro de Midas, em sutil desespero,

e deixem em paz a floresta.

José Julio de Azevedo, 20.08.2011


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