terça-feira, 16 de dezembro de 2008

DROGAS: ALTERNATIVA ESPIRITUAL?




The Doors: Poesia & Música,
Misticismo & Drogas


Jim Morrison, um dos ícones mais celebrados do mundo do rock, foi encontrado morto em Paris, em Julho de 1971 - depois de Jimi Hendrix e Janis Joplin, outros artistas da música pop que também encontraram seu limite na morte. Ele era o vocalista e autor da maioria das letras que o The Doors – banda de rock formada em 1965. Cantava, levando multidões de jovens ao delírio, nos anos sessenta. Era filho de uma família tradicional, cujo pai era almirante da Marinha americana.
Jim nasceu na Flórida em 8 dezembro de 1943, formou-se em cinema, devorava os livros e vivia como se tivesse um grande vazio no coração. Quando começou a fazer sucesso, desabafou diante da câmera da TV: “O tom [da música] eu tiro desse sentimento obscuro, entende? Como o de alguém que não está em casa ou não se sente relaxado. Sabe, somos muitas coisas, mas não temos certeza de nada. Eu gostaria de ter apenas a sensação de estar em casa
Em 1954 no livro “As portas da percepção”, Aldus Huxley, descreve as suas experiências alucinatórias com o uso da mescalina. O titulo é uma expressão tirada de uma obra do poeta William Blake. Blake tinha idéias socialistas e condenava a hipocrisia da Igreja, em sua época, cúmplice da exploração do trabalho de crianças e do tráfico de escravos. Hoje é considerado um santo, pelos gnósticos (Conhecimento esotérico e perfeito da divindade, e que se transmite por tradição e mediante ritos de iniciação).
Os anos 60 foram de grande atividade para a religiosidade oriental e o misticismo, especialmente na Califórnia. Escritores como Huxley e Carlos Castañeda, entre outros, apontavam para a juventude – envolvida em protestos e inconformismo – uma alternativa para a sede espiritual: a vivência metafísica através do uso de alucinógenos. Até então o uso de drogas era restrito e discreto, porém tudo mudou, desde então.
Os jovens, desde seus ambientes universitários, como Berkeley – onde um professor foi apologista do uso do LSD – viam nessas portas que estavam sendo forçadas, uma saída para o desespero de uma geração insuflada para negar o valor de qualquer autoridade, divina ou eclesiástica. Essa realidade formava um prato cheio para a expansão de religiões alternativas, a procura de gurus para o conhecimento de verdades ancestrais negadas pela tradição judaico-cristãs – que passaram a ser furiosamente combatidas nos meios intelectuais. Nessa época o arguto Bob Dylan cantou um alerta : “os alquimistas estão no corredor”.
Foi mais ou menos assim nasceu a grande e poderosa indústria das drogas alternativas ao álcool e ao tabaco – que hoje é moda em qualquer cidade do mundo, entre pobres e ricos, analfabetos ou intelectuais de elite. Como expressou o poeta Octávio Paz, as novas gerações não têm mais na tradição o seu fundamento, mas na mudança – que tornou-se obsessiva, gerando a confusão mental e a inquietude existencial até mesmo no seio da Igreja – quando novos teólogos, à cada dia, lançam mão de um novo vento de doutrina para segurar seus fiéis de uma outra novidade lançada num outro show da fé. Quem é sábio, porém, medita na fonte, nutre-se da Palavra de Deus revelada na Bíblia.
O que podemos perceber é que havia sinceridade na mensagem dos The Doors. Havia um grito incontido de uma geração em busca da verdade que poderia restaurar a paz e fazê-la sentir-se em casa, consolada e tranqüila. Em um documentário para TV o escritor Danny Sugarman declarou: “Jim não bebia naquela época, ele usava alucinógenos e estava expandindo sua mente, esforçando seu caminho para o outro lado”.
Os anos sessenta já desfrutavam das comunicações via satélites. Milhares de jovens soldados morriam e matavam na Guerra do Vietnã, em que os americanos se envolveram, utilizando armas químicas tenebrosas (gás mostarda), conflitos entre estudantes e autoridades universitárias e políticas, golpes de estado e imposição de ditaduras na América Latina, formavam cenário propício à rebeldia e questionamento de valores. Infelizmente a hipocrisia religiosa, o comprometimento de instituições cristãs com sociedades iniciáticas, passaram a aliar-se contra uma espiritualidade verdadeiramente cristã como opção para os jovens do mundo.
O grande trunfo de Jim Morrison foi aliar a poesia à música no ritmo do rock – conseguindo, dessa forma, atingir milhões com sua mensagem radical de desespero e também de denúncia do status quo, o materialismo e a superficialidade.
Tal era o impacto de suas canções, muitas vezes urradas no microfone, que uma das composições do The Doors, foi trilha sonora do filme “Apocalipse Now”, de Francis Ford Coppola, que descreve o sangrento estado do sudeste asiático em tempo de guerra estratégica – com suas vítimas crianças e mulheres indefesas, animais e florestas sendo carbonizadas ao som de “The end”:

“Este é o fim belo amigo

Este é o fim meu único amigo, o fim
Dos nossos elaborados planos, o fim
De tudo que permanece, o fim
Sem salvação ou surpresa, o fim
Eu nunca olharei em seus olhos...de novo
Você pode imaginar o que será?
Tão sem limites e livre
Precisando desesperadamente...de alguma...mão de estranho
Numa terra desesperada?”



Possamos ouvir o grito de uma geração que busca por socorro. Hoje, não são apenas alguns Hendrix, Jim, Janis, são milhões de jovens que pedem socorro e querem a verdade verdadeira do amor encarnado em Cristo, mas tanto negado na prática cristã. Jovens que se sentem longe de casa, fora de si, sem Deus no mundo, porque a indiferença virou doença e a espiritualidade contempla mais os reinos deste mundo do que a glória de Deus. Certa vez o poeta do The Doors disse que "gostaria de fazer uma música que fosse a mais pura expressão de alegria, pura como a celebração da existência, como a chegada da primavera" ... - morreu antes disto, porém.


Ouça com o coração o grito de milhões na boca de Jim Morrison:

“Bem, eu já desci tanto
Que agora até me sinto em cima
Bem, eu já desci tanto
Que agora até me sinto em cima
Sim, então por que algum de vocês
Não vem e me liberta”?






José J Azevedo

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