sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

VEJA COMO FUNCIONA O APARTHEID NO BRASIL



O que caracterizou o regime de separação entre brancos e negros, na África do Sul, foi a imposição de uma política discricionária e segregacionista – pela imposição de leis do governo do Partido Nacional. A maioria da população, de 1948 a 1994, era desconsiderada em sua cidadania, tendo seus direitos negados pela mentalidade nazi-fascista da elite governante, no poder. No Brasil esse regime, o apartheid, sobrevive com vigor numa clandestinidade ostensiva e deprimente – porém real como esta folha de papel.
Após as eleições gerais de 1948 foram impostas leis que impunham a segregação entre negros, indianos, de um lado e brancos, em áreas residenciais separadas – com remoções forçadas. Para os negros o atendimento de saúde e educação, como outros serviços públicos era inferior ao dos brancos. Esse fato gerou violência e o aparecimento de uma liderança e revoltas populares. Vários países passaram a uma política de embargo comercial com a África do Sul, em função da discriminação oficial – que atentava contra a política dos direitos humanos da ONU – Organização das Nações Unidas. Líderes anti-apartheid passaram a ser presos e a repressão policial aumentava frente a manifesta insatisfação popular.
Infelizmente o Brasil cultiva, extra-oficialmente, uma política segregacionista, socialmente atrasada em sua legislação e violenta em seus fidalgos costumes. O apartheid é real e suas conseqüências são dramáticas. Estão nas estatísticas e fazem do nosso País um dos mais violentos do mundo. As barreiras são geradas pela grana, pela exclusão e pela indiferença. Nessas condições a burocracia medra como parasita.
Grande parte da população, nas últimas décadas, foi forçada a migrar para as metrópoles – despreparadas para receber milhões de pessoas. Em função dessa realidade dezenas de milhões de pessoas vivem em lugares insalubres, convivendo com o lixo, a falta de saneamento e em regiões de risco. Forçada a desvincular-se de suas tradições culturais e de seu modo de viver em maior harmonia com o meio-ambiente. O fruto da falta de planejamento e vontade política conduz grande parcela da população para a marginalização – o caminho mais curto para a marginalidade.
Apesar de cada brasileiro médio pagar compulsoriamente cerca de 40% de sua renda, em impostos, a desigualdade na distribuição de renda e de serviços públicos é gritante. O mau exemplo de personagens dos três poderes, a impunidade, levam o país a identificar-se ao apartheid sul-africano – demolido na legislação atual, porém ainda sobrevivente em função de condições sociais de muitos de origem africana.
A população, além de morar mal, muitas vezes se vê obrigada a ocupar áreas de verdadeiros grilos urbanos - como o do Pinheirinho atualmente nas mãos da massa-falida de uma empresa do especulador libanês Naji Nahas, flagrado na Operação Satiaghara da Policia Federal – a população oprimida no interior do Brasil, que veio às grandes cidades, sofre pelas deficiências na educação de suas crianças, no atendimento de saúde, no saneamento – vivendo em meio a valetas abertas, córregos poluídos; subempregados e geralmente vistos como suspeitos pela polícia.
Dezenas de milhares que caem na delinqüência pagam caro, mofando em cadeias, distritos policiais e penitenciarias – de forma precária, que atenta contra a dignidade humana. Raros são os que podem estudar e trabalhar, nesses estabelecimentos penais, e grande parcela volta para as ruas mais escolada no crime, e mais revoltada. Talvez milhares de detentos devessem estar em tratamento psiquiátrico – porém são tratados como bandidos comuns.
No Brasil do apartheid real uma casta de corruptos e corruptores, bem assessorada pela advocacia, através de regimes autoritários ou democracias de fachada, deitam e rolam nas brechas da legislação e nos expedientes soturnos de bastidores mal-assombrados, em iniciações temerárias. “Ai de vós”, diria Francisca de Souza da Silva.
Desembargadores e juízes desfilam como pavões, ostentando o luxo advindo de supersalários, a revelia da legislação, nutridos por dezenas de penduricários mensais. Nos salões da moda, com certeza, coabitam com uma elite gerada pela ocupação ilegal de terras públicas – através de expedientes que envolvem cartórios, falsários e grandes latifundiários, sempre famintos de novas terras, para a pata do gado ou a monocultura de exportação. Escândalos financeiros saem das páginas dos jornais para a impunidade e o esquecimento. A corrupção ativa e passiva em escalões de governo – em todos os níveis – é esquecida! Processos mofam nas prateleiras do judiciário até o doce livramento, pelo “decurso de prazo”. Quando uma boa equipe consegue provar e confrontar mega-contraventores, travestidos de banqueiros sérios, logo vem a eles o socorro do habeas-corpus. Várias aves de rapina, então, voam para outros países enquanto outros continuam a coabitar nos círculos dos cidadãos que, apesar de tudo, estão acima de qualquer suspeita – afinal de contas no regime do apartheid cadeia é coisa prá pobre, mulato ou preto.
Enquanto os salários e outros proventos são votados em beneficio próprio, nas nobres casas do Congresso Nacional a aposentadoria de dezenas de milhões de brasileiros emagrecem pela sangria provocada por mudanças de táticas de apropriação indébita para gerar recursos para sustentar a soberba elite dos três poderes.
Crescem as crianças subnutridas e mal educadas – filão para os donos da contravenção, os traficantes e os prostituidores – enquanto isso a TV executa a cores e em HD o emburrecimento da massa, esterilizando reações, entorpecendo com novelas – vitrine para a venda de bebidas, cigarros (efeito demonstração) e modismos degradantes para uma juventude conduzida como gado pelos “reality shows”.
Infelizmente a decadência permeia setores da igreja cristã, no Brasil, especialmente em tendências neo-pentecostais, onde a verdade bíblica é manifesta com parcialidade para agradar o público e fortalecer líderes e denominações – agravando a ignorância de muitos quanto à redenção e desinformando quanto à liberdade que advém do conhecimento íntegro das Escrituras. O orgulho espiritual, o pior dos pecados no dizer de C.S.Lewis, tem levado muitos a perverter a sã doutrina. Muitas desses vitimas da injustiça e da indiferença são excluídos até junto à porta de templos.
Esse é um breve perfil do regime do apartheid no Brasil. Talvez pior do que o da antiga África do Sul, porque mascarado. As leis brasileiras afirmam que todos são iguais diante da lei – porém a realidade desmente, a prática ignora a letra. O Brasil é formado por um povo solidário e generoso – a alma deste País persevera no coração dos pobres, apesar de injustiças estruturais de raízes históricas e vícios persistentes na mentalidade de parcela da elite ramificada em pontos estratégicos, com articulação nos poderes da república.
Claro que não devemos ser pessimistas, mas afirmar que, graças a Deus, existem pessoas justas e honestas nos três poderes – porém não podemos fugir de uma verdade escancarada que temos que enfrentar com perseverança e determinação. O Brasil já foi bem pior do que hoje e, cremos, será melhor amanhã. Isso depende de cada um de nós, nas práticas, nas atitudes e nas crenças. O caminho passa pela consolidação da democracia – autoritarismos de direita e de esquerda já causaram estragos demais, no mundo. Cabe a cada um exercer seu papel com honesta dignidade, deixando de lado a lógica perversa do oportunismo. Fixando a vida nos valores magnos da ética e da liberdade responsável – pois, mais cedo ou mais tarde, colhemos o que semeamos.

(José J . Azevedo)

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

NAJI NAHAS, JUSTIÇA, POLICIA E TRABALHADORES DA VILA PINHEIRINHO, EM SÃO JOSÉ DOS CAMPOS



VIOLÊNCIA POLICIAL PARA PROTEGER
INTERESSES DE ESPECULADOR E SONEGADOR
DE IMPOSTOS, BANIDO EM 40 PAÍSES

Naji Robert Nahas é um empresário atuando como comitente de grande porte na área de investimentos especulação financeira. Libanês naturalizado, chegou ao Brasil nos anos 70 com cinqüenta milhões de dólares para investir e montou um conglomerado de empresas que incluía fábricas, fazendas de produção de coelhos, banco, seguradora e outros. Tornou-se nacionalmente conhecido depois de ter sido processado sob acusação de ter provocado a quebra da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, em 1989. De acordo com reportagem da revista VEJA, Nahas tomava emprestado de bancos e aplicava na bolsa, fazendo negócios consigo mesmo por meio de laranjas e corretores, inflando as cotações.
Naji Nahas**, de triste memória, volta agora ao noticiário nacional em função de um processo que move contra cerca de 1800 famílias de baixa renda que, há cerca de nove anos, ocupam uma grande área que o empresário alega ser sua, em São José dos Campos.
Conforme a Legislação Brasileira uma família, depois de estar cinco anos ou mais em um imóvel tem direitos legais sobre o terreno onde mora, podendo requerer o devido usucapião – porque será que essas famílias ainda não tiveram seus direitos reconhecidos? Num país famoso pelos grilos gigantescos, especulação financeira, peculato, mordomias e corrupção governamental em todos os níveis, porque é que a polícia usa cassetete e bombas de gás lacrimogêneo apenas contra os pobres, que lutam para sobreviver com dignidade?
O que se passa em São José dos Campos é mais um retrato da vergonha social brasileira, que mantém bandidos de colarinho branco impunes e penaliza pessoas, brasileiros natos, aos quais a Constituição Brasileira garante dignidade e os direitos da cidadania.
Conforme a CBN, “o presidente da OAB – Ordem dos Advogados do Brasil – Ophir Cavalcante, classificou como ilegal a reintegração de posse realizada, apesar de uma ordem da Justiça Federal suspendendo a ação. Ele disse que houve quebra do pacto federativo. Uma ordem suspendendo a reintegração, assinada pelo juiz Samuel de Castro Barbosa Melo foi entregue por oficiais da justiça do Estado de São Paulo, mas, segundo o TJ paulista, o TRF não tem competência para intervir na questão” – aliás, competência não falta quando se trata de promover salários exorbitantes entre juízes, desembargadores, oficiais de justiça em vários estados brasileiros – afrontando a consciência e agindo inconstitucionalmente em função de seus proventos & salários, dezenas de vezes maiores que o legalmente permitido no Brasil*.
Veja no vídeo acima o parecer sensato de jornalistas do Jornal da TV Cultura, de São Paulo.

COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS DA OAB
AFIRMA HAVER VITIMAS FATAIS

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São José dos Campos, Aristeu César Pinto Neto, disse hoje (23.01.12) que houve mortos na operação de reintegração de posse do terreno conhecido como Pinheirinho, na periferia da cidade. De acordo com ele, crianças estão entre as vítimas.
O que se viu aqui é a violência do Estado típica do autoritarismo brasileiro, que resolve problemas sociais com a força da polícia. Ou seja, não os resolve. Nós vimos isso o dia inteiro. Há mortes, inclusive de crianças. Nós estamos fazendo um levantamento no Instituto Médico-Legal, e tomando as providências para responsabilizar os governantes que fizeram essa barbárie”, disse, em entrevista à TV Brasil.
Conforme o Jornal virtual da Yahoo, o representante da OAB disse ter ficado surpreso com o aparato de guerra que foi montado em prol de uma propriedade pertencente à massa falida de uma empresa do especulador Naji Nahas: “O proprietário é um notório devedor de impostos, notório especulador, proibido de atuar nas bolsas de valores de 40 países. Só aqui ele é tratado tão bem”***.
A selvageria do capitalismo especulador acaba sendo beneficiária com o fisco, que parece fazer vistas grossas para com as dividas do tal libanês. Porém, a força repressiva do governo maltrata brasileiros e utiliza, de forma tendenciosa, a letra da lei para tratar brasileiros natos como se fossem bandidos. Há anos esses trabalhadores investem em suas casas, pagam seus impostos e são tratados como bastardos por autoridades cegas à realidade social do País.

Manifestamos repúdio a insensatez e parcialidade, além da incompetencia municipal, com que
os moradores da Vila Pinheirinho vem sendo tratados. Cabe ao Ministério Público Federal fazer prevalecer Justiça em São José dos Campos. A OAB mais uma vez se coloca com lucidez na defesa da população questionando uma interpretação errada e retrógada da legislação - desprezando tanto a jurisprudência como o espírito da lei frente a realidade social de milhões de brasileiros.

* - Não faltam denúncias na Imprensa, com relação a vergonhosa exorbitância de grande parte daqueles que tem o dever moral de zelar pelo respeito às leis do País. Veja, por exemplo, a introdução de uma reportagem do ESTADO DE S.PAULO, de 24.01.2012: "Os pagamentos milionários a magistrados estaduais de São Paulo se reproduzem no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. A folha de subsídios do TJ-RJ mostra que desembargadores e juízes, mesmo aqueles que acabaram de ingressar na carreira, chegam a ganhar mensalmente de R$ 40 mil a R$ 150 mil. A remuneração de R$ 24.117,62 é hipertrofiada por “vantagens eventuais”. Alguns desembargadores receberam, ao longo de apenas um ano, R$ 400 mil, cada, somente em penduricalhos" (http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,supersalarios-de-magistrados-no-rio-variam-de-r-40-mil-a-r-150-mil,826349,0.htm)

**Acusado por diversas frentes, o nome de Naji Nahas aparece na operação Satiagraha da Polícia Federal e no episódio da quebra da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, entre outros casos interessantes. O investidor fez fortuna no Brasil com operações de altíssimo risco, cuja legitimidade é questionada até os dias atuais.
A quebra da bolsa do Rio levou Nahas aos tribunais por diversas vezes, mas não conseguiu incriminá-lo. O episódio alimenta a principal rixa do mercado brasileiro, entre Nahas e o fundador da BM&F, Eduardo da Rocha Azevedo ...No mercado de ações, a postura de Nahas chamava atenção pela estratégia arrojada. As acusações apontavam que Nahas emprestava dinheiro de instituições financeiras para aplicar em ações, manipulando a valorização dos ativos realizando negócios consigo mesmo via laranjas ou corretores.

(http://www.infomoney.com.br/personagens-do-mercado/noticia/1585515-personagens+mercado+caso+naji+nahas+quebra+bolsa+rio

*** A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta terça-feira, 8.07.2008, a Operação Satiagraha, que investiga desvio de verbas públicas, corrupção e lavagem de dinheiro. Entre os presos estão o banqueiro Daniel Dantas, do banco Opportunity, o empresário Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta. As investigações tiveram início há quatro anos e são um desdobramento do "Caso Mensalão". Ao todo, a polícia irá cumprir 24 mandados de prisão e 56 de busca e apreensão. A operação, que mobilizou cerca de 300 homens da PF, está sendo realizada nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia e no Distrito Federal. Ainda não há informações sobre quantos mandados foram cumpridos. O nome da operação - Satiagraha - significa resistência pacífica e silenciosa. Segundo a PF, foram identificadas pessoas e empresas beneficiadas no esquema montado pelo empresário Marcos Valério para intermediar e desviar recursos. A polícia aponta Daniel Dantas como o chefe de uma grande organização criminosa, envolvida com a prática de diversos crimes, para os quais utilizava empresas de fachada (http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,pf-prende-daniel-dantas-naji-nahas-e-celso-pitta-,202316,0.htm)

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Lei da Palmada e PL 122 ameaçam liberdade religiosa garantida na Constituição



Depois de muita discussão parece que o famigerado PL 122 vai ser votado no Senado para ser, enfim, sepultado como tentativa inconstitucional de entulho autoritário – já que alguns de seus artigos criminalizariam a liberdade de opinião e expressão – garantida na Constituição. Alguns dos direitos reclamados, que pretenderiam uma defesa contra a “homofobia”, já encontram solução em outros preceitos legais, como os penalizam o preconceito de raça, credo religioso ou qualquer tipo de violência ou perseguição contra cidadãos, independentemente de suas tendências afetivas.


A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) aprovou, em “caráter conclusivo” o Projeto de Lei 2654/03, que proíbe qualquer forma de castigo físico em crianças e adolescentes. O projeto será agora encaminhado ao Senado, “sem necessidade de ser votado pelo Plenário da Câmara”.


De acordo com o texto, apresentado pela deputada Maria do Rosário (PT-RS), a punição corporal de criança ou adolescente sujeitará os pais, professores ou responsáveis a medidas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8069/90), como o encaminhamento do infrator a programa oficial ou comunitário de proteção à família, a tratamento psicológico ou psiquiátrico e a cursos ou programas de orientação.



A relatora do PL 2654/03, Sandra Rosado (PSB/RN) vai mais longe e declara que “o castigo físico imposto a uma criança, ainda que `moderado`, é ato de violência e provoca traumas significativos". Conforme o site da Câmara Federal, “a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Márcia Lopes, disse que a proposta pretende garantir que meninos e meninas cresçam livre de violência física e psicológica”. Pelo texto, "castigo corporal" passa a ser definido como "ação de natureza disciplinar ou punitiva com o uso da força física que resulte em dor ou lesão à criança ou adolescente". O Projeto de Lei 2654/03, é de 2006, e “proíbe qualquer forma de castigo físico em crianças e adolescentes”. Como houve recurso para votação em plenário, o texto aguardou anos para ser novamente votado – sem muita discussão ou abertura a opinião pública.


Essa matéria merece uma reflexão mais profunda e abrangente. Em primeiro lugar: A disciplina corretiva, aplicada com moderação e sabedoria, não é prejudicial à criança. A Bíblia, livro guia dos cristãos, aconselha o ensino, a disciplina e a correção: “O que retém a vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, cedo, o disciplina” (Provérbios 10.13). Um pai amoroso saberá aconselhar e mesmo disciplinar com moderação, reafirmando a sua autoridade no lar. Crianças que crescem fazendo o que querem, sem alguém para colocar limites necessários, tornam-se arrogantes, muitas vezes egoístas e violentos – dentro e fora de casa. Essa PL coloca ensinos bíblicos no banco dos réus e, por isso, é desrespeitosa com a fé além de negar o direito de um religioso, seja cristão ou muçulmano ou judeu, de disciplinar, educar (como mestre e líder de sua casa) os seus filhos – e isso contraria a garantia constitucional da liberdade religiosa. Por isso é INCONSTITUCIONAL!


A Constituição já prevê punição para a violência, seja doméstica ou não – porém nas entrelinhas o PL questiona a autoridade bíblica e afirma que educar os filhos à sua maneira é caso de psiquiatria. Somos totalmente a favor de uma assistência médica-psicológica a cidadãos que agridem seus filhos com palavrões, humilhações e maus tratos. Porém acabar com a atitude sadia e disciplinar dos pais é imposição estatal que a cidadania não pode tolerar.


Por outro lado corre no STF – Supremo Tribunal Federal - um dispositivo jurídico para acabar com a orientação institucional quanto à classificação de horários e idades da programação de rádio e TV. Alega-se que o Estado não deve interferir (!) na vida doméstica, cabendo aos pais a decisão de permitir, ou não, que seus filhos vejam filmes. Ora bolas, essa decisão já existe! Porém é salutar que pessoas de cultura e bom senso orientem quanto à programação veiculada ao público – especialmente quando se vê tanta agressividade, violência explicita e outras formas de delinqüência sendo repassada as crianças – isso sim, “violência física e psicológica” contra crianças – especialmente aquelas que ficam sozinhas em casa porque pai e mãe têm que trabalhar o dia todo para trazer o sustento dos filhos – deixando as crianças de qualquer idade à mercê de uma programação promovida por empresas e indústrias ávidas do lucro, cuja ética muitas vezes é desprezada em nome desse deus moderno. Muitos filmes e desenhos animados colaboram – ou melhor, conspiram, para a formação de crianças violentas, agressivas e subliminarmente educadas para a agressão – gerando gerações de alunos que, na escola, questionam e confrontam a autoridade de professores e, dentro de casa, dos próprios pais. A culpa, porém, recai em pais zelosos que não querem ser cúmplices das transgressões dos próprios filhos – corrigindo-os com amor e firmeza – e, em último caso, com o uso corretivo de uma vara (que é mais saudável que a palmada).


Outra fonte de violência contra crianças e adolescentes é a exposição dos menores aos noticiários jornalísticos – que expõem o mau exemplo de deputados que desrespeitam as leis de trânsito e causam desastres com vitimas fatais; ministros denunciados por corrupção ativa ou passiva, empreiteiros subornando funcionários para ganhar concorrências, artistas de TV em “horário nobre” fumando e bebendo em folhetins novelescos, sob o olhar inocente de crianças. Nesse caso não somos contra a liberdade de imprensa, mas contra a libertinagem de exposição pública da falta de decoro e vergonha na cara de uma parcela da elite que transita, talvez a séculos, nos poderes de forma despudorada e atentatória a sanidade mental de crianças e adolescentes!



Vamos colocar os pés no chão da realidade e não agir com hipocrisia. Vários programas da TV brasileira ensinam os jovens a vulgaridade, as jovens a viverem sem decência ou pudor – fazendo dos relacionamentos encontros fugazes e descompromissados. PLs como a 122 ou 2654/03, parecem ter intenção subjacente de acabar com um modelo familiar e estruturado para forjar uma Nação saudável, baseada em valores sobre os quais firma-se a Democracia, o Estado de Direito, a honradez e a hombridade – fundamentos da civilização (José J. de Azevedo).


segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A ATUAL LUTA PELA MORALIDADE



José Dirceu critica Movimento de Combate a Corrupção



O Estadão de 14.11.2011 publicou a opinião do militante José Dirceu, ex-ministro e réu cassado no processo do mensalão, com relação a manifestações anticorrupção, que vem crescendo nos centros urbanos. Afirmou ele que as atuais manifestações pela ética e honestidade na vida política, bem como no trato dos recursos da Nação, não passam de uma “luta moralista”.
O dicionário Aurélio define a moral como o “conjunto de regras de conduta consideradas como válidas, quer de modo absoluto para qualquer tempo ou lugar, quer para grupo ou pessoa determinada”. As palavras do ex-ministro da Casa Civil do governo Lula parecem tentar impingir uma conotação negativa, tanto para com o movimento como para o moralista, isto é cidadãos que escrevem sobre moral, preconizam idéias e preceitos morais e defendem uma práxis existencial baseada na moralidade.
O que é moralidade? A palavra diz respeito ao conjunto das nossas faculdades morais; brio, vergonha; o que há de moralidade em qualquer coisa. Todo cidadão e todo político, partidário ou não, deve ver com bons olhos o atual movimento pela moralidade. Afinal, quem não deve, não teme! Toda Democracia tem base na liberdade de opinião e critica – sem ela a decadência avulta, contaminando a mentalidade e abalando os fundamentos de um País que anela a civilidade e a decência
Há aqueles que consideram a moral como algo ultrapassado, coisa dos nossos avós, que honravam sua palavra, cumpriam suas promessas e não trafegavam em biografias marcadas pela afirmativa de que “o fim justifica os meios”.
Saudamos e apoiamos o atual movimento anticorrupção. Todo cidadão, de alguma forma, honesto, trabalhador, brioso da própria consciência, exige a moralidade como paradigma. A corrupção no Brasil consome bilhões anuais do erário público enquanto que grande parcela da população sobrevive precariamente com a ausência dos benefícios preconizados na Constituição Brasileira – seja na saúde, no saneamento, segurança, etc. Ela é tão nociva quando um cidadão tenta corromper um guarda de trânsito quanto um fiscal que aceita suborno para fazer vista grossa ao contrabando, como ao político que legisla em causa própria, aumentando os próprios salários de forma despudorada e cínica frente a milhões de crianças desnutridas ou a aposentados que morrem em filas do SUS.
A culpa pesa nos ombros – ou devia pesar – dos poderes legislativo, judiciário e executivo – e em outros setores da sociedade. Não há paz, nem verdadeiro progresso social e espiritual em uma Nação se os maus exemplos vem daqueles que deviam portar-se de forma exemplar, por ocuparem posição privilegiada. Devem ser responsáveis ou responsabilizados! Até mesmo nossa Presidenta vem sendo criticada por demitir ministros envolvidos em desvio de recursos públicos!
O que o Brasil tem visto, passivamente, é uma roteiro maquiavélico e mesquinho de transgressões e falcatruas, desrespeito a lei escrita e a lei moral, que devem nortear uma verdadeira civilização. Não sejamos mesquinhos, porém, em atribuir a corrupção às últimas décadas - ela é uma doença centenária que precisamos expurgar, de nós mesmos em primeiro lugar - pautando a vida em valores espirituais e costumes sociais que toda boa consciência aconselha.
Cada brasileiro tem o direito e o dever constitucional de zelar pela moralidade no trato do que pertence a todos, seja nas questões ambientais, econômicas, sociais ou políticas. O povo exige que toda denúncia, respaldada na verdade documental, deve ser levada aos tribunais. As leis de exceção, que privilegiem classes – políticas, jurídicas ou executivas – sejam caducadas por uma Legislação que honre a afirmativa constitucional de que “todos são iguais perante a Lei”. O eleitor deve ser educado na cidadania e os meios de comunicação tem o dever de contribuir para ensinar de forma didática e imparcial a cidadania – em vez de apresentar o circo deprimente de modismos exigidos por anunciantes – que vêm rebaixando o nível da dignidade juvenil.
A atual onda, o despertar da apatia para as ruas, em um clamor pelo fim da impunidade e pelo triunfo da justiça sobre a parcialidade, não é uma luta partidária – nem deve ser porque a atual epidemia imoral, informada pela imprensa, tem raiz num fazer político que se articula numa ética peculiar – alastrada em prefeituras, câmaras municipais, assembléias legislativas e até no Ministério Público - capaz de agravar o desequilíbrio social, sempre prejudicial aos menos letrados, de menos posses, menos informados e mais expostos ao avanço de toda espécie de injustiça favorecida por leis e jurisprudências que aviltam os mais pobres, seja nas favelas – impostas pela grilagem centenária de terras públicas – seja no campo, com o avanço dos latifúndios – seja nas regiões de floresta, onde o papel com carimbo de cartório – legal mas imoral – ou ilegal e imoral – desterra povos indígenas, agricultores familiares, expondo-os ao exílio nas cidades ou a semi-escravidão. Chega dessa imposição aviltante imposta por certa parcela da elite, que considera a moral e a hombridade algo fora de moda. Está na hora de reafirmar valores universais pelos quais a consciência grita!
O Brasil muda para melhor, de cima para baixo. Muitas vezes a voz do povo é a voz de Deus.

(José J Azevedo)

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

BRASIL - Feliz Aniversário!




Cinco séculos desde o descobrimento.
Cinco séculos de cobiça e de rapina.
Terras para a Coroa, almas para o Papa!
Cinco séculos de paisagens fustigadas,
Cinco séculos de idiomas silenciados.
Antes da alma florescer nestes trópicos
Antes de se forjar uma raça,
o que se vê é o louvor a deusa Cobiça!
Cinco séculos de entradas & bandeiras.
Cinco séculos de devastação
& corrupção.

Tribos escravizadas
Sob a chibata e o desterro,
depois os navios negreiros.
Cinco séculos avançando sobre os bosques
Incendiados da lua vermelha
refletida no rio-esgoto.
Cinco séculos de brado retumbante,
carnaval da corte,
os fidalgos e as negrinhas,
os engenhos e os bastardos.
A fúria, desbravadora dos sertões.

Bravura foi embora,
Liberdade? Apenas no coração selvagem!
A paz dos animais foi embora.
As aves silenciadas, minguado esterco
da monocultura, sua transgênica dança,
o rapto das sementes,
entorpecimento da razão.

Tambores silenciados.
A beleza que resta,
acuada nos rincões da pátria amarga.
Cruzando as fronteiras em busca
de um lugar que não existe mais.

Ah! Cinco séculos,
clama o sangue inocente!
Avança em pseudo- progresso,
feito de iniqüidade, escravidão e grilagem,
mordomias reais, sem-civilização,
sem-vergonha na cara.

Na pobreza das favelas,
No clamor das mãos erguidas,
Sobreviventes teimam sobreviver.

Corações exilados, confuso passado.
O presente formatado na tela medíocre da TV.
Meninos amargurados, suas mamadeiras de crack.
O delírio na orla do Leblon de cada cidade,
pó e pólvora,
onde elites devoram as riquezas da nação,



entoando perverso jogral: Corrupção!
Cinco séculos já se foram, para onde caminhamos?

Feliz aniversário, Bra&il!


José Julio de Azevedo, Setembro/2011

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

IMAGINE – John Lennon e Jesus






"Imagine que não há paraíso
É fácil se você tentar
Nenhum inferno abaixo de nós
Acima de nós apenas o céu
Imagine todas as pessoas
Vivendo para o hoje

Imagine não existir países
Não é difícil de fazê-lo
Nada pelo que lutar ou morrer
E nenhuma religião também
Imagine todas as pessoas
Vivendo a vida em paz

Você pode dizer
Que eu sou um sonhador
Mas eu não sou o único
Eu tenho a esperança de que um dia
você se juntará a nós
E o mundo será como um só

Imagine não existir posses
Me pergunto se você consegue
Sem necessidade de ganância ou fome
Uma irmandade de humanos
Imagine todas as pessoas
Compartilhando todo o mundo

Você pode dizer
Que eu sou um sonhador
Mas eu não sou o único
Eu tenho a esperança de que um dia
Você se juntará a nós
E o mundo será como um só
" (John Lennon)


Em 1966 John Lennon, no auge da fama, declarou que os Beatles eram mais famosos que Jesus Cristo. Ele disse: "O cristianismo vai desaparecer e encolher.Eu não preciso discutir isso, eu estou certo e eu vou provar agora Nós somos mais populares que Jesus agora, eu não sei qual será o primeiro - o rock 'n' roll ou o cristianismo. Jesus estava certo, mas seus discípulos eram grossos e ordinários". Mais tarde, depois do escândalo provocado por essa declaração ele tentou consertar, afirmando: "Não sou antideus, nem anticristo, nem antireligião". Em 1970, Paul McCartney anunciou o fim dos Beatles, depois de uma série de crises e desentendimentos entre os componentes da banda. Em 1971 Lennon lançava a belíssima música “Imagine”. Porém, ao tentar ser politicamente correto em seus versos, eliminando o paraíso e o inferno, ele revela a idéia do deus dos panteístas – um deus que é todas as coisas e não o Deus criador de todas as coisas e seres viventes, como ensinava Jesus Cristo. .
Na letra de “Imagine” vemos como John Lennon se revelou tributário da mensagem suprema de Jesus Cristo. Pena que ele não creu na transcendência divina de Jesus e opinou preconceituosamente sobre o caráter de seus seguidores – não discernindo religiosos oportunistas dos verdadeiros cristãos.
Gosto da música dos Beatles, porém o único ídolo que admito reinar em meu coração é Jesus. Ninguém superou sua mensagem de amor e paz, porque ele viveu-a radicalmente, assumindo no Calvário a minha rebelião, meu pecado e minha condenação. Garantiu a salvação eterna da minha alma!
A história humana, desde o advento de Jesus Cristo, divide-se em A.C e D.C – antes e depois de Cristo. Ele é a plenitude dos tempos! Falando a seus discípulos ele disse: “Ninguém tem maior amor do que este, de alguém dar a sua vida pelos seus amigos”. Ele foi mais longe do que qualquer ser humano.
Ele tinha mais do que um belo discurso! Ele viveu sua mensagem de forma radical, obstinada, até a última gota de sangue. Lemos o Profeta Isaías, cerca de quatrocentos anos antes de Jesus: “Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi transpassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados
Imagine” é uma bela canção que fala ao coração do nosso tempo e da nossa geração, que conviveu com a realidade dolorosa de guerras como a do Vietnã, Biafra, Camboja, entre outras. Sua poesia é bela, porém sua verdade é relativa!
Sim, há um paraíso – ele começa no coração de quem segue o único que pagou com sangue inocente o preço do resgate de sua alma eterna;
Sim, há um inferno para aquelas almas que perseveram obstinadas, sem arrependimento, na maldade e na injustiça, nos crimes de corrupção, na feitiçaria, na cruel perversidade contra crianças e outros inocentes, na dominação dos povos, na destruição ambiental, na busca do poder pela força das armas e no lucro bilionário do comércio de armas, no tráfico de seres humanos, etc. Que sejam poucos os súditos desse lugar tenebroso -, porém é uma realidade que nenhuma poesia pode fazer desaparecer.
Imagine todas as pessoas vivendo o dia de hoje” – esse desapego altruísta e generoso está no coração do Evangelho de N.S.Jesus Cristo. Além de partir o pão e multiplicá-lo para milhares ele nos ensinou a orar: “O pão nosso de cada dia daí-nos hoje” – o verdadeiro seguidor de Cristo deve viver na simplicidade e humildade ensinadas por Jesus – partilhando a cada dia as bênçãos recebidas através da natureza generosa criada por Deus;
Jesus nunca pregou a guerra e mandou que o inimigo fosse alvo de nossa oração e bem-aventurança. A luta, porém, é uma realidade espiritual da qual não podemos fugir. Não contra o sangue e a carne (pessoas), mas contra “potestades espirituais”. Essa luta é exercida com paz no coração, benevolência e serviço ao próximo.
E nenhuma religião também” – Jesus não criou uma religião! Na verdade, ele edifica a sua Igreja e afirma que “as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. As instituições religiosas são passageiras e circunstanciais, porem necessárias para sintonizar os fiéis. A Igreja, porém, transcende a todas elas. Hoje, embalados por uma compreensão errada e distorcida da Igreja, milhões de jovens vivem de coração vazio, buscando preenchê-lo com o que o consumismo oferece. Nunca floresceu tanto da indústria das drogas e do álcool. Santo Agostinho disse: “Há no coração humano um vazio do tamanho de Deus”. Só Deus pode preencher esse vazio – Cristo é a ponte segura e firme que nos religa a Ele!
Imagine não existir países”. Um dia esse sonho será realidade. Gente de todas as tribos, línguas e nações partilharão do Universo infinito, vivendo eternamente, viajando a velocidade da luz. Dizem as Escrituras: “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, o que Deus tem preparado para os que O amam”. Somos criaturas deficitárias, imperfeitas, contraditórias, no entanto somos chamados para seguir a trilha estreita que conduz a esse universo sem países e sem limites!

"Imagine não existir posses
Me pergunto se você consegue
Sem necessidade de ganância ou fome
Uma irmandade de humana
Imagine todas as pessoas
Compartilhando todo o mundo
"

Lemos em Atos 2.44-47 o perfil da Igreja primitiva, que deve ser modelo para a Igreja de todos os tempos: “Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade. Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos”. Grande parte das instituições religiosas estão à deriva desse paradigma – porém os verdadeiros discípulos de Cristo são generosos, partilham seus bens, vivem de forma amiga e fraternal. Os apenas religiosos muitas vezes são pedra de tropeço Jesus alertou seus discípulos quanto à usurpação, quando condenou o comércio que se fazia no templo de Jerusalém. Ele disse: “A minha casa será chamada casa de oração e não covil de salteadores”.

"Você pode dizer
Que eu sou um sonhador
Mas eu não sou o único
Eu tenho a esperança de que um dia
Você se juntará a nós
E o mundo será como um só
".

John Lennon, como os outros integrantes dos Beatles, foi influenciado – mesmo que em certa medida rejeitassem – pela cultura cristã das democracias ocidentais. A Inglaterra durante dezenas de anos foi uma das grandes forças missionárias do cristianismo, no mundo – apesar do colonialismo e dos interesses mercantilistas de seus potentados capitalistas.
O cristão vive, hoje, nadando contra-a-corrente. Resiste contra a cultura que coisifica o ser humano, manipula sua consciência e o escraviza pela imposições de hábitos de consumo que agride seu corpo, compromete sua mente e nega sua realidade espiritual.
Podemos, juntos, mudar o mundo. Fundamental seguir aquele que, efeitivamente mudou o mundo para sempre.
Há intelectuais e pensadores, filósofos e até teólogos que querem impor suas idéias e ideais através da persuasão, através do poder político e econômico. Jesus nunca usou esses métodos autoritários ou impositivos. Ele apenas diz: Vem, e segue-me!

Jesus fala ao coração e seu chamado de amor é irresistível!


José Julio de Azevedo, 8.10.11

sábado, 20 de agosto de 2011

O CANTO DO UIRAPURU / POEMA




Deixem em paz a floresta, o que dela resta.

Ouçam o urro de seus felinos inquietos,

A linguagem canora de seus meninos morenos,

tranqüilos, ribeirinhos.

Deixem a vida viver do seu jeito.

Deixem os pássaros risonhos

alimentarem seus filhos, nos ninhos.

Que os tratores e moto serras

Apodreçam, virem esterco no solo.

Deixem em paz o lábaro estrelado

E todas as sinfonias de seus animais

E o murmúrio de profundos recantos.

Queremos ouvir o canto da seriema,

O cantar do jacu, de galho em galho,

Queremos que vivam as tribos e povos da floresta.

Vivendo em paz em sua terra,

Cultivando sua cultura, falando em seu idioma.

Chega de rapinagem bandeirante!

Suas entradas e bandeiras

de gana, ira, cobiça e violência.

O lamento do Bico-Vermelho.

O resmungo da Arara-Canindé.

Que o Urutau-Grande te assuste.

O Uirapuru enterneça teu coração de pedra

na Semana de Arte Moderna, que ainda perdura.

Que a Amazônia desvairada

assombre homens escravizados pelo dinheiro

em suas confrarias, perversas corporações.

Que essas almas famintas

enlouqueçam em seus palácios de cristal

com seu ouro de Midas, em sutil desespero,

e deixem em paz a floresta.

José Julio de Azevedo, 20.08.2011



http://www.xinguvivo.org.br/

Assine a petição agora para parar o Complexo de Belo Monte! https://hq-salsa.democracyinaction.org/o/2486/l/por/p/dia/action/public/?acti...