terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Lei da Palmada e PL 122 ameaçam liberdade religiosa garantida na Constituição



Depois de muita discussão parece que o famigerado PL 122 vai ser votado no Senado para ser, enfim, sepultado como tentativa inconstitucional de entulho autoritário – já que alguns de seus artigos criminalizariam a liberdade de opinião e expressão – garantida na Constituição. Alguns dos direitos reclamados, que pretenderiam uma defesa contra a “homofobia”, já encontram solução em outros preceitos legais, como os penalizam o preconceito de raça, credo religioso ou qualquer tipo de violência ou perseguição contra cidadãos, independentemente de suas tendências afetivas.


A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) aprovou, em “caráter conclusivo” o Projeto de Lei 2654/03, que proíbe qualquer forma de castigo físico em crianças e adolescentes. O projeto será agora encaminhado ao Senado, “sem necessidade de ser votado pelo Plenário da Câmara”.


De acordo com o texto, apresentado pela deputada Maria do Rosário (PT-RS), a punição corporal de criança ou adolescente sujeitará os pais, professores ou responsáveis a medidas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8069/90), como o encaminhamento do infrator a programa oficial ou comunitário de proteção à família, a tratamento psicológico ou psiquiátrico e a cursos ou programas de orientação.



A relatora do PL 2654/03, Sandra Rosado (PSB/RN) vai mais longe e declara que “o castigo físico imposto a uma criança, ainda que `moderado`, é ato de violência e provoca traumas significativos". Conforme o site da Câmara Federal, “a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Márcia Lopes, disse que a proposta pretende garantir que meninos e meninas cresçam livre de violência física e psicológica”. Pelo texto, "castigo corporal" passa a ser definido como "ação de natureza disciplinar ou punitiva com o uso da força física que resulte em dor ou lesão à criança ou adolescente". O Projeto de Lei 2654/03, é de 2006, e “proíbe qualquer forma de castigo físico em crianças e adolescentes”. Como houve recurso para votação em plenário, o texto aguardou anos para ser novamente votado – sem muita discussão ou abertura a opinião pública.


Essa matéria merece uma reflexão mais profunda e abrangente. Em primeiro lugar: A disciplina corretiva, aplicada com moderação e sabedoria, não é prejudicial à criança. A Bíblia, livro guia dos cristãos, aconselha o ensino, a disciplina e a correção: “O que retém a vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, cedo, o disciplina” (Provérbios 10.13). Um pai amoroso saberá aconselhar e mesmo disciplinar com moderação, reafirmando a sua autoridade no lar. Crianças que crescem fazendo o que querem, sem alguém para colocar limites necessários, tornam-se arrogantes, muitas vezes egoístas e violentos – dentro e fora de casa. Essa PL coloca ensinos bíblicos no banco dos réus e, por isso, é desrespeitosa com a fé além de negar o direito de um religioso, seja cristão ou muçulmano ou judeu, de disciplinar, educar (como mestre e líder de sua casa) os seus filhos – e isso contraria a garantia constitucional da liberdade religiosa. Por isso é INCONSTITUCIONAL!


A Constituição já prevê punição para a violência, seja doméstica ou não – porém nas entrelinhas o PL questiona a autoridade bíblica e afirma que educar os filhos à sua maneira é caso de psiquiatria. Somos totalmente a favor de uma assistência médica-psicológica a cidadãos que agridem seus filhos com palavrões, humilhações e maus tratos. Porém acabar com a atitude sadia e disciplinar dos pais é imposição estatal que a cidadania não pode tolerar.


Por outro lado corre no STF – Supremo Tribunal Federal - um dispositivo jurídico para acabar com a orientação institucional quanto à classificação de horários e idades da programação de rádio e TV. Alega-se que o Estado não deve interferir (!) na vida doméstica, cabendo aos pais a decisão de permitir, ou não, que seus filhos vejam filmes. Ora bolas, essa decisão já existe! Porém é salutar que pessoas de cultura e bom senso orientem quanto à programação veiculada ao público – especialmente quando se vê tanta agressividade, violência explicita e outras formas de delinqüência sendo repassada as crianças – isso sim, “violência física e psicológica” contra crianças – especialmente aquelas que ficam sozinhas em casa porque pai e mãe têm que trabalhar o dia todo para trazer o sustento dos filhos – deixando as crianças de qualquer idade à mercê de uma programação promovida por empresas e indústrias ávidas do lucro, cuja ética muitas vezes é desprezada em nome desse deus moderno. Muitos filmes e desenhos animados colaboram – ou melhor, conspiram, para a formação de crianças violentas, agressivas e subliminarmente educadas para a agressão – gerando gerações de alunos que, na escola, questionam e confrontam a autoridade de professores e, dentro de casa, dos próprios pais. A culpa, porém, recai em pais zelosos que não querem ser cúmplices das transgressões dos próprios filhos – corrigindo-os com amor e firmeza – e, em último caso, com o uso corretivo de uma vara (que é mais saudável que a palmada).


Outra fonte de violência contra crianças e adolescentes é a exposição dos menores aos noticiários jornalísticos – que expõem o mau exemplo de deputados que desrespeitam as leis de trânsito e causam desastres com vitimas fatais; ministros denunciados por corrupção ativa ou passiva, empreiteiros subornando funcionários para ganhar concorrências, artistas de TV em “horário nobre” fumando e bebendo em folhetins novelescos, sob o olhar inocente de crianças. Nesse caso não somos contra a liberdade de imprensa, mas contra a libertinagem de exposição pública da falta de decoro e vergonha na cara de uma parcela da elite que transita, talvez a séculos, nos poderes de forma despudorada e atentatória a sanidade mental de crianças e adolescentes!



Vamos colocar os pés no chão da realidade e não agir com hipocrisia. Vários programas da TV brasileira ensinam os jovens a vulgaridade, as jovens a viverem sem decência ou pudor – fazendo dos relacionamentos encontros fugazes e descompromissados. PLs como a 122 ou 2654/03, parecem ter intenção subjacente de acabar com um modelo familiar e estruturado para forjar uma Nação saudável, baseada em valores sobre os quais firma-se a Democracia, o Estado de Direito, a honradez e a hombridade – fundamentos da civilização (José J. de Azevedo).


segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A ATUAL LUTA PELA MORALIDADE



José Dirceu critica Movimento de Combate a Corrupção



O Estadão de 14.11.2011 publicou a opinião do militante José Dirceu, ex-ministro e réu cassado no processo do mensalão, com relação a manifestações anticorrupção, que vem crescendo nos centros urbanos. Afirmou ele que as atuais manifestações pela ética e honestidade na vida política, bem como no trato dos recursos da Nação, não passam de uma “luta moralista”.
O dicionário Aurélio define a moral como o “conjunto de regras de conduta consideradas como válidas, quer de modo absoluto para qualquer tempo ou lugar, quer para grupo ou pessoa determinada”. As palavras do ex-ministro da Casa Civil do governo Lula parecem tentar impingir uma conotação negativa, tanto para com o movimento como para o moralista, isto é cidadãos que escrevem sobre moral, preconizam idéias e preceitos morais e defendem uma práxis existencial baseada na moralidade.
O que é moralidade? A palavra diz respeito ao conjunto das nossas faculdades morais; brio, vergonha; o que há de moralidade em qualquer coisa. Todo cidadão e todo político, partidário ou não, deve ver com bons olhos o atual movimento pela moralidade. Afinal, quem não deve, não teme! Toda Democracia tem base na liberdade de opinião e critica – sem ela a decadência avulta, contaminando a mentalidade e abalando os fundamentos de um País que anela a civilidade e a decência
Há aqueles que consideram a moral como algo ultrapassado, coisa dos nossos avós, que honravam sua palavra, cumpriam suas promessas e não trafegavam em biografias marcadas pela afirmativa de que “o fim justifica os meios”.
Saudamos e apoiamos o atual movimento anticorrupção. Todo cidadão, de alguma forma, honesto, trabalhador, brioso da própria consciência, exige a moralidade como paradigma. A corrupção no Brasil consome bilhões anuais do erário público enquanto que grande parcela da população sobrevive precariamente com a ausência dos benefícios preconizados na Constituição Brasileira – seja na saúde, no saneamento, segurança, etc. Ela é tão nociva quando um cidadão tenta corromper um guarda de trânsito quanto um fiscal que aceita suborno para fazer vista grossa ao contrabando, como ao político que legisla em causa própria, aumentando os próprios salários de forma despudorada e cínica frente a milhões de crianças desnutridas ou a aposentados que morrem em filas do SUS.
A culpa pesa nos ombros – ou devia pesar – dos poderes legislativo, judiciário e executivo – e em outros setores da sociedade. Não há paz, nem verdadeiro progresso social e espiritual em uma Nação se os maus exemplos vem daqueles que deviam portar-se de forma exemplar, por ocuparem posição privilegiada. Devem ser responsáveis ou responsabilizados! Até mesmo nossa Presidenta vem sendo criticada por demitir ministros envolvidos em desvio de recursos públicos!
O que o Brasil tem visto, passivamente, é uma roteiro maquiavélico e mesquinho de transgressões e falcatruas, desrespeito a lei escrita e a lei moral, que devem nortear uma verdadeira civilização. Não sejamos mesquinhos, porém, em atribuir a corrupção às últimas décadas - ela é uma doença centenária que precisamos expurgar, de nós mesmos em primeiro lugar - pautando a vida em valores espirituais e costumes sociais que toda boa consciência aconselha.
Cada brasileiro tem o direito e o dever constitucional de zelar pela moralidade no trato do que pertence a todos, seja nas questões ambientais, econômicas, sociais ou políticas. O povo exige que toda denúncia, respaldada na verdade documental, deve ser levada aos tribunais. As leis de exceção, que privilegiem classes – políticas, jurídicas ou executivas – sejam caducadas por uma Legislação que honre a afirmativa constitucional de que “todos são iguais perante a Lei”. O eleitor deve ser educado na cidadania e os meios de comunicação tem o dever de contribuir para ensinar de forma didática e imparcial a cidadania – em vez de apresentar o circo deprimente de modismos exigidos por anunciantes – que vêm rebaixando o nível da dignidade juvenil.
A atual onda, o despertar da apatia para as ruas, em um clamor pelo fim da impunidade e pelo triunfo da justiça sobre a parcialidade, não é uma luta partidária – nem deve ser porque a atual epidemia imoral, informada pela imprensa, tem raiz num fazer político que se articula numa ética peculiar – alastrada em prefeituras, câmaras municipais, assembléias legislativas e até no Ministério Público - capaz de agravar o desequilíbrio social, sempre prejudicial aos menos letrados, de menos posses, menos informados e mais expostos ao avanço de toda espécie de injustiça favorecida por leis e jurisprudências que aviltam os mais pobres, seja nas favelas – impostas pela grilagem centenária de terras públicas – seja no campo, com o avanço dos latifúndios – seja nas regiões de floresta, onde o papel com carimbo de cartório – legal mas imoral – ou ilegal e imoral – desterra povos indígenas, agricultores familiares, expondo-os ao exílio nas cidades ou a semi-escravidão. Chega dessa imposição aviltante imposta por certa parcela da elite, que considera a moral e a hombridade algo fora de moda. Está na hora de reafirmar valores universais pelos quais a consciência grita!
O Brasil muda para melhor, de cima para baixo. Muitas vezes a voz do povo é a voz de Deus.

(José J Azevedo)

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

BRASIL - Feliz Aniversário!




Cinco séculos desde o descobrimento.
Cinco séculos de cobiça e de rapina.
Terras para a Coroa, almas para o Papa!
Cinco séculos de paisagens fustigadas,
Cinco séculos de idiomas silenciados.
Antes da alma florescer nestes trópicos
Antes de se forjar uma raça,
o que se vê é o louvor a deusa Cobiça!
Cinco séculos de entradas & bandeiras.
Cinco séculos de devastação
& corrupção.

Tribos escravizadas
Sob a chibata e o desterro,
depois os navios negreiros.
Cinco séculos avançando sobre os bosques
Incendiados da lua vermelha
refletida no rio-esgoto.
Cinco séculos de brado retumbante,
carnaval da corte,
os fidalgos e as negrinhas,
os engenhos e os bastardos.
A fúria, desbravadora dos sertões.

Bravura foi embora,
Liberdade? Apenas no coração selvagem!
A paz dos animais foi embora.
As aves silenciadas, minguado esterco
da monocultura, sua transgênica dança,
o rapto das sementes,
entorpecimento da razão.

Tambores silenciados.
A beleza que resta,
acuada nos rincões da pátria amarga.
Cruzando as fronteiras em busca
de um lugar que não existe mais.

Ah! Cinco séculos,
clama o sangue inocente!
Avança em pseudo- progresso,
feito de iniqüidade, escravidão e grilagem,
mordomias reais, sem-civilização,
sem-vergonha na cara.

Na pobreza das favelas,
No clamor das mãos erguidas,
Sobreviventes teimam sobreviver.

Corações exilados, confuso passado.
O presente formatado na tela medíocre da TV.
Meninos amargurados, suas mamadeiras de crack.
O delírio na orla do Leblon de cada cidade,
pó e pólvora,
onde elites devoram as riquezas da nação,



entoando perverso jogral: Corrupção!
Cinco séculos já se foram, para onde caminhamos?

Feliz aniversário, Bra&il!


José Julio de Azevedo, Setembro/2011

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

IMAGINE – John Lennon e Jesus






"Imagine que não há paraíso
É fácil se você tentar
Nenhum inferno abaixo de nós
Acima de nós apenas o céu
Imagine todas as pessoas
Vivendo para o hoje

Imagine não existir países
Não é difícil de fazê-lo
Nada pelo que lutar ou morrer
E nenhuma religião também
Imagine todas as pessoas
Vivendo a vida em paz

Você pode dizer
Que eu sou um sonhador
Mas eu não sou o único
Eu tenho a esperança de que um dia
você se juntará a nós
E o mundo será como um só

Imagine não existir posses
Me pergunto se você consegue
Sem necessidade de ganância ou fome
Uma irmandade de humanos
Imagine todas as pessoas
Compartilhando todo o mundo

Você pode dizer
Que eu sou um sonhador
Mas eu não sou o único
Eu tenho a esperança de que um dia
Você se juntará a nós
E o mundo será como um só
" (John Lennon)


Em 1966 John Lennon, no auge da fama, declarou que os Beatles eram mais famosos que Jesus Cristo. Ele disse: "O cristianismo vai desaparecer e encolher.Eu não preciso discutir isso, eu estou certo e eu vou provar agora Nós somos mais populares que Jesus agora, eu não sei qual será o primeiro - o rock 'n' roll ou o cristianismo. Jesus estava certo, mas seus discípulos eram grossos e ordinários". Mais tarde, depois do escândalo provocado por essa declaração ele tentou consertar, afirmando: "Não sou antideus, nem anticristo, nem antireligião". Em 1970, Paul McCartney anunciou o fim dos Beatles, depois de uma série de crises e desentendimentos entre os componentes da banda. Em 1971 Lennon lançava a belíssima música “Imagine”. Porém, ao tentar ser politicamente correto em seus versos, eliminando o paraíso e o inferno, ele revela a idéia do deus dos panteístas – um deus que é todas as coisas e não o Deus criador de todas as coisas e seres viventes, como ensinava Jesus Cristo. .
Na letra de “Imagine” vemos como John Lennon se revelou tributário da mensagem suprema de Jesus Cristo. Pena que ele não creu na transcendência divina de Jesus e opinou preconceituosamente sobre o caráter de seus seguidores – não discernindo religiosos oportunistas dos verdadeiros cristãos.
Gosto da música dos Beatles, porém o único ídolo que admito reinar em meu coração é Jesus. Ninguém superou sua mensagem de amor e paz, porque ele viveu-a radicalmente, assumindo no Calvário a minha rebelião, meu pecado e minha condenação. Garantiu a salvação eterna da minha alma!
A história humana, desde o advento de Jesus Cristo, divide-se em A.C e D.C – antes e depois de Cristo. Ele é a plenitude dos tempos! Falando a seus discípulos ele disse: “Ninguém tem maior amor do que este, de alguém dar a sua vida pelos seus amigos”. Ele foi mais longe do que qualquer ser humano.
Ele tinha mais do que um belo discurso! Ele viveu sua mensagem de forma radical, obstinada, até a última gota de sangue. Lemos o Profeta Isaías, cerca de quatrocentos anos antes de Jesus: “Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi transpassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados
Imagine” é uma bela canção que fala ao coração do nosso tempo e da nossa geração, que conviveu com a realidade dolorosa de guerras como a do Vietnã, Biafra, Camboja, entre outras. Sua poesia é bela, porém sua verdade é relativa!
Sim, há um paraíso – ele começa no coração de quem segue o único que pagou com sangue inocente o preço do resgate de sua alma eterna;
Sim, há um inferno para aquelas almas que perseveram obstinadas, sem arrependimento, na maldade e na injustiça, nos crimes de corrupção, na feitiçaria, na cruel perversidade contra crianças e outros inocentes, na dominação dos povos, na destruição ambiental, na busca do poder pela força das armas e no lucro bilionário do comércio de armas, no tráfico de seres humanos, etc. Que sejam poucos os súditos desse lugar tenebroso -, porém é uma realidade que nenhuma poesia pode fazer desaparecer.
Imagine todas as pessoas vivendo o dia de hoje” – esse desapego altruísta e generoso está no coração do Evangelho de N.S.Jesus Cristo. Além de partir o pão e multiplicá-lo para milhares ele nos ensinou a orar: “O pão nosso de cada dia daí-nos hoje” – o verdadeiro seguidor de Cristo deve viver na simplicidade e humildade ensinadas por Jesus – partilhando a cada dia as bênçãos recebidas através da natureza generosa criada por Deus;
Jesus nunca pregou a guerra e mandou que o inimigo fosse alvo de nossa oração e bem-aventurança. A luta, porém, é uma realidade espiritual da qual não podemos fugir. Não contra o sangue e a carne (pessoas), mas contra “potestades espirituais”. Essa luta é exercida com paz no coração, benevolência e serviço ao próximo.
E nenhuma religião também” – Jesus não criou uma religião! Na verdade, ele edifica a sua Igreja e afirma que “as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. As instituições religiosas são passageiras e circunstanciais, porem necessárias para sintonizar os fiéis. A Igreja, porém, transcende a todas elas. Hoje, embalados por uma compreensão errada e distorcida da Igreja, milhões de jovens vivem de coração vazio, buscando preenchê-lo com o que o consumismo oferece. Nunca floresceu tanto da indústria das drogas e do álcool. Santo Agostinho disse: “Há no coração humano um vazio do tamanho de Deus”. Só Deus pode preencher esse vazio – Cristo é a ponte segura e firme que nos religa a Ele!
Imagine não existir países”. Um dia esse sonho será realidade. Gente de todas as tribos, línguas e nações partilharão do Universo infinito, vivendo eternamente, viajando a velocidade da luz. Dizem as Escrituras: “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, o que Deus tem preparado para os que O amam”. Somos criaturas deficitárias, imperfeitas, contraditórias, no entanto somos chamados para seguir a trilha estreita que conduz a esse universo sem países e sem limites!

"Imagine não existir posses
Me pergunto se você consegue
Sem necessidade de ganância ou fome
Uma irmandade de humana
Imagine todas as pessoas
Compartilhando todo o mundo
"

Lemos em Atos 2.44-47 o perfil da Igreja primitiva, que deve ser modelo para a Igreja de todos os tempos: “Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade. Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos”. Grande parte das instituições religiosas estão à deriva desse paradigma – porém os verdadeiros discípulos de Cristo são generosos, partilham seus bens, vivem de forma amiga e fraternal. Os apenas religiosos muitas vezes são pedra de tropeço Jesus alertou seus discípulos quanto à usurpação, quando condenou o comércio que se fazia no templo de Jerusalém. Ele disse: “A minha casa será chamada casa de oração e não covil de salteadores”.

"Você pode dizer
Que eu sou um sonhador
Mas eu não sou o único
Eu tenho a esperança de que um dia
Você se juntará a nós
E o mundo será como um só
".

John Lennon, como os outros integrantes dos Beatles, foi influenciado – mesmo que em certa medida rejeitassem – pela cultura cristã das democracias ocidentais. A Inglaterra durante dezenas de anos foi uma das grandes forças missionárias do cristianismo, no mundo – apesar do colonialismo e dos interesses mercantilistas de seus potentados capitalistas.
O cristão vive, hoje, nadando contra-a-corrente. Resiste contra a cultura que coisifica o ser humano, manipula sua consciência e o escraviza pela imposições de hábitos de consumo que agride seu corpo, compromete sua mente e nega sua realidade espiritual.
Podemos, juntos, mudar o mundo. Fundamental seguir aquele que, efeitivamente mudou o mundo para sempre.
Há intelectuais e pensadores, filósofos e até teólogos que querem impor suas idéias e ideais através da persuasão, através do poder político e econômico. Jesus nunca usou esses métodos autoritários ou impositivos. Ele apenas diz: Vem, e segue-me!

Jesus fala ao coração e seu chamado de amor é irresistível!


José Julio de Azevedo, 8.10.11

sábado, 20 de agosto de 2011

O CANTO DO UIRAPURU / POEMA




Deixem em paz a floresta, o que dela resta.

Ouçam o urro de seus felinos inquietos,

A linguagem canora de seus meninos morenos,

tranqüilos, ribeirinhos.

Deixem a vida viver do seu jeito.

Deixem os pássaros risonhos

alimentarem seus filhos, nos ninhos.

Que os tratores e moto serras

Apodreçam, virem esterco no solo.

Deixem em paz o lábaro estrelado

E todas as sinfonias de seus animais

E o murmúrio de profundos recantos.

Queremos ouvir o canto da seriema,

O cantar do jacu, de galho em galho,

Queremos que vivam as tribos e povos da floresta.

Vivendo em paz em sua terra,

Cultivando sua cultura, falando em seu idioma.

Chega de rapinagem bandeirante!

Suas entradas e bandeiras

de gana, ira, cobiça e violência.

O lamento do Bico-Vermelho.

O resmungo da Arara-Canindé.

Que o Urutau-Grande te assuste.

O Uirapuru enterneça teu coração de pedra

na Semana de Arte Moderna, que ainda perdura.

Que a Amazônia desvairada

assombre homens escravizados pelo dinheiro

em suas confrarias, perversas corporações.

Que essas almas famintas

enlouqueçam em seus palácios de cristal

com seu ouro de Midas, em sutil desespero,

e deixem em paz a floresta.

José Julio de Azevedo, 20.08.2011



http://www.xinguvivo.org.br/

Assine a petição agora para parar o Complexo de Belo Monte! https://hq-salsa.democracyinaction.org/o/2486/l/por/p/dia/action/public/?acti...

quarta-feira, 27 de julho de 2011

CANÇÃO PARA AMY WINEHOUSE



Não a conheci,
Nem sabia que você existia.
Só ouvi sua voz depois que você partiu.

Vi você cantando no YouTube,
Ouvi você dizer
que só queria um amigo.
Você já estava à beira do abismo,
voz humana em meio
a cifrões e interesses.

Você disse na canção que não fazia idéia do por que estar aqui.
Você sabia?

Sua canção chocava a hipocrisia,
Bebia até a última gota de um delírio
Feito de solidão, mistério e de poesia.

Você foi embora, deixou saudade
e seus órfãos, os bêbados da cidade.
Você partiu, levou sua voz, seu coração
E os trejeitos da rebelde juventude.

Você era como um retrato
em movimento
desta geração que parece ter perdido
a esperança de um futuro.
Você era, como milhões,
aluna da filosofia do beco-sem-saída.
Dançando como no olho de um furacão.

O charme sinistro das drogas,
indústria do mal, sem rosto, sem moral,
iludindo a fome, a sede.
O vazio espiritual imposto
pela egoísta deusa da razão.

Conheci você de longe,
agridoce menina, em sua canção.
Você me conquistou com
seu desamparo,
sua rosa de trapos,
suas lágrimas de ouro.


Song to Amy Winehouse

I didn't meet her,
Nor she knew that you existed.
I only heard her voice after you left.

I saw you singing in YouTube,
I heard you say
that she only wanted a friend.
You were already to the edge of the abyss,
human voice in half
to money signs and interests.

You said in the song that didn't make idea of the why to be here.
Did you know?

Her song shocked the hypocrisy,
She drank until the last drop of a delirium
Done of solitude, mystery and of poetry.

You left, she left longing
and their orphans, the drunks of the city.
You left, it took her voice, her heart
And the rebel youth's gestures.

You were as a picture
in movement
of this generation that seems to have lost
the hope of a future.
You were, as million,
student of the philosophy of the alley-without-exit.
Dancing as in the eye of a hurricane.

The sinister charm of the drugs,
industry of the evil, without face, without morals,
deceiving the hunger, the thirst.
The emptiness spiritual tax
for the selfish person goddess of the reason.

I knew you from a distance,
sweet and sour girl, in her song.
You conquered me with
her abandonment,
her rose of rags,
their tears of gold.


José Julio de Azevedo, 27.7.2011

segunda-feira, 18 de julho de 2011

SAÚDE & AGROTÓXICOS



VENENOS NO AR, NO SOLO, NA ÁGUA E NA MESA:
BRASIL, CAMPEÃO MUNDIAL DOS AGROTÓXICOS


Em sua pagina de “Economia & Negócios”, de 7.08.2009, o Estadão online noticiava o Brasil como campeão do mundo na utilização de venenos agrotóxicos – divulgando levantamento encomendado pela ANDEF – Assoc. Nacional de Defesa Vegetal, que representa os fabricantes dos venenos. Essa indústria movimentou US$ 7,1 bilhões, naquele ano. Relata o jornal: “O consumo cresceu no País, apesar de a área plantada ter encolhido 2%. A matéria ficou restrita ao ufanismo do agro-negócio e seus parceiros da indústria dos agrotóxicos: “Quanto mais avançado o sistema produtivo, maior o consumo de agrotóxico”. A queda nos preços dos venenos foi atribuída à crise americana, porém, na verdade, há um grande esforço nos EUA e Europa em reverter à utilização dos agrotóxicos – nocivos para a terra, nocivos para a saúde humana, poluentes do ar e da água. Quanto maior a sua utilização maior o comprometimento e dependência desse “avançado sistema produtivo” (monoculturas, agropecuária industrial, etc.).

No “Estadão/Planeta de 30.05.2010 a linguagem é outra: “Até agora, dos 14 produtos que deveriam ser submetidos à avaliação, só houve uma decisão: a cihexatina, empregada na citricultura, será banida a partir de 2011. Até lá, seu uso é permitido só no Estado de São Paulo. Enquanto as decisões são proteladas, o uso de agrotóxicos sob suspeita de afetar a saúde aumenta. Um exemplo é o endossulfam, associado a problemas endócrinos. Dados da Secretaria de Comércio Exterior mostram que o País importou 1,84 mil tonelada do produto em 2008. Ano passado, saltou para 2,37 mil t. "Estamos consumindo o lixo que outras nações rejeitam", resume a coordenadora do Sistema Nacional de Informação Tóxico-Farmacológicas da Fundação Oswaldo Cruz, Rosany Bochner”. Irresponsabilidade associada corrupção e imposição do loobie dos venenos, empurrados goela abaixo dos brasileiros. Por isso o Brasil virou “o principal destino de produtos banidos em outros países. Nas lavouras brasileiras são usados pelo menos dez produtos proscritos na União Europeia (UE), Estados Unidos e um deles até no Paraguai.”.
Interessante notar que as duas indústrias mais sujas do mundo – dos agrotóxicos e das usinas nucleares – tiveram a guerra como parteiras. Foram criadas, inicialmente, como armas bélicas para destruir os inimigos. Seus inventores e herdeiros, então, passaram a divulgar idéias como “átomos para a paz” e “revolução verde” para impor ao mundo seus subprodutos.
Sebastião Pinheiro, escritor e membro dos Ecojornalistas do Rio Grande do Sul lembra que “no final da guerra desenvolveram um mercado para esses produtos, que passaram a estar ao alcance do agricultor através do ensino, propaganda, experimentação e até mesmo uma necessidade forjada”. Quais os malefícios dos venenos agrotóxicos? Pinheiro responde: “Qualquer ser vivo ou ser intoxicado pode receber alta médica, mas não está curado. Não existe cura para o impacto de um agrotóxico. A pessoa carregará seqüelas durante toda a sua vida”. Relaciona: Esses malefícios, dos quais se desconhece a dimensão completa, vão desde câncer, morte por infecção aguda, hipetensão, leucemia e uma série de seqüelas. O maior problema que os cientistas estão descobrindo hoje é um fenômeno chamado alteração hormonal ou disrupção endócrina. A alteração hormonal, regulando um hormônio para mais ou para menos está alterando todos os seres vivos e isso é gravíssimo... “O agrotóxico tem impactos negativos muito graves e só iremos conhecer todos os malefícios de 3 a 5 gerações após deixarmos de utilizá-los”.
Outra informação: “A Academia Nacional de Ciências dos EUA”, em 1987, determinou que fosse buscada uma nova agricultura, “livre de venenos” – mas o Brasil continua a avançar na contra-mão da História!
Na lógica profana dos fabricantes de venenos os insetos que enriquecem a terra precisam de inseticidas, para serem eliminados e as plantas que adubam o solo, devem ser eliminadas com herbicidas porque são “pragas” – esse artificialismo interesseiro aprofunda a dependência dos venenos e adubos químicos da mesma forma que um viciado em drogas precisa aumentar a dose para obter o mesmo efeito. Outra falácia: “Diziam que os trangênicos iriam reduzir o uso dos venenos – porém em 23 milhões de hectares de soja transgênica foram aplicados algo como 530 mil toneladas de venenos, isto é, cerca de 23 litros por hectare cultivado” Assim a ditadura dos venenos atinge patamares de lucro nunca vistos – avançando sobre a terra sadia, biomas, florestas e os mananciais de água potável, pois sua lógica é o lucro a qualquer custo ambiental. Não é a toa que o olho gordo de dezenas de industrias de venenos da Ásia esteve no Brasil, promovendo a “China-Brazil AgroChemShow”.
Dados da OMS – Organização Mundial de Saúde – informam que são registrados no mundo cerca de três milhões de intoxicações agudas por ano, num total de 220 mil óbitos oficiais. Esses dados não levam em conta as doenças crônicas e casos não notificados que, segundo a médica Luciana Nussbaumer, pode ser o dobro do total notificado. Para a OMS para cada caso de intoxicação registrado existiriam outros 50 casos que não são registrados.
O Dr. Francisco Roberto Caporal, engenheiro agrônomo afirma: “Comemos e não sabemos o que comemos. A realidade em que vivemos (especialmente quando se denuncia o contrabando de venenos e registro e uso no Brasil de pesticidas já proibidos em seus países de origem, além do uso indiscriminado e abusivo de agrotóxicos) justifica uma luta dos consumidores em favor de uma transição agroecológica. Temos que lutar por uma agricultura limpa, ecológica, capaz de pouco a pouco, eliminar o modelo de agricultura agroquímica ainda dominante, de modo a construir processos produtivos capazes de reduzir os danos ao meio ambiente e à saúde e de produzir alimentos sadios para todos. E isto é possível como já demonstram milhares de agricultores e agricultoras espalhados por todos os recantos deste País. Parece que chegou a hora dos consumidores conscientes fazerem a sua parte”.
Milhares de cidadãos, moradores em cidades cercadas por latifúndios da monocultura, além de comerem veneno na comida são obrigadas a respirar o veneno espalhado de aviões sobre as plantações, que avançam sob a ação do vento sobre suas habitações – com resíduos acumulando-se nos córregos, nos poços de água potável, nos rios e na água da chuva.
Quais as conseqüências dessa exposição? O Dr. Wanderlei Antonio Pignati – Médico e professor da UFMT – Universidade Federal do Mato Grosso responde: “Intoxicações agudas e crônicas, má formação fetal e mulheres gestantes, neoplasia (que causa câncer), distúrbios endócrinos (na tiróide, suprarrenal e alguns diabetes, distúrbios neurológicos e respiratórios. Nos lagos e lagoas acontece a extinção de várias espécies de animais, como peixes, anfíbios e répteis, por conta das modificações do ambiente por essas substâncias químicas. Os sedimentos ficam no fundo e servem de alimentos para a fauna aquática, causando impacto em toda a biota em cima da terra”. Pignati informa que dados detectaram que “nas 3 regiões do Mato Grosso onde mais se produz soja, milho e algodão há uma incidência 3 vezes maior de intoxicação aguda por agrotóxicos, comparando com outras 12 regiões que produzem menos e usam menos agrotóxicos. Analizando por regiões o sistema de notificação de intoxicação aguda da Secretaria Municipal, Estadual e do Ministério da Saúde, percebemos que onde a produção é maior, há mais casos de intoxicação aguda, como diarréia, vômitos, desmaios mortes, dustúrbios cardíacos e pulmonares, além de doença subcrônicas que aparecem um mês ou dois depois da exposição, de tipo neurológico e psiquiátricos, como depressão. Há grotóxicos que causam irritação ocular e auditiva. Outros causam lesão neurológica, com hemiplegia, neurite da coluna neurológica cervical. Além disso, essas regiões que produzem mais soja, milho e algodão apresentam incidência duas vezes maior de câncer em crianças e adultos e malformação em recém nascidos do que nas outras regiões que produzem menos e usam menos agrotóxicos”.
Diagnosticamos, nesses dados e relatos, um modelo perverso e agravante, que expõe a população, com desprezo à cidadania e à dignidade humana, que precisa ser criteriosamente avaliado pelo governo federal, de forma responsável e multidisciplinar, criando mecanismos legais em busca de um novo modelo, capaz de preservar o meio ambiente salutar para a sobrevivência. O ufanismo dos números deve dar lugar a uma reflexão ativa e tomada de decisão racional – pois o aparente lucro imediato vem gerando impactos nocivos para a saúde de dezenas de milhões de brasileiros que poderão ser agravados se persistir a visão de que o Brasil é terra de ninguém e onde cada um faz o que quer, de forma predatória, mesquinha, irresponsável e criminosa.
Todos almejamos um progresso que realmente valorize quem produz e quem trabalha – porém esse modelo baseado em insumos químicos venenosos, gerado em função de estratégia de guerra e imposto, contra toda a inteligência cientifica, precisa ser revertido antes que seja tarde de mais, especialmente com relação as próximas gerações de brasileirinhos.
(José J. de Azevedo, 20.06.2011)

LEIA TAMBÉM - O Roundup, o câncer e o crime do “colarinho verde”
Em: http://www.espacoacademico.com.br/051/51andrioli.htm

Bibliografia:
PINHEIRO, Sebastião ( http://www.ecoagencia.com.br/)
PACHECO, Paula (http://www.estadao.com.br/)
ROSA, Gilneida - Bioética, Agrotóxicos e Saúde (http://www.ceedo.com.br/)
CAPORAL, Dr. Francisco Roberto (http://www.vivapernambuco.com.br/)
PIGNATI, Dr. Wanderlei Antonio - Médico e Professor da UFM –
Universidade Federal do Mato Grosso (http://cpte.org.br/)
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